O meu amigo é pintor
Quando quer esconde-se no Mar
Diz então que vai para casa
Parti um dia à procura do lixo que já ninguém quer. Encontrei uma velha tesoura, um lápis partido, uma caixa de cartão, um saco preto, restos de cola... Juntei tudo no meu laboratório e, como que por magia, construí uma caixinha de cartão que tira fotografias. Parti e levei-a comigo. [Por vezes , nos caminhos que percorro, vou ouvindo histórias, vou vendo coisas de pasmar.]

Quando eu era pequeno pensava, e acreditava profundamente, que ninguem dizia mal de mim, nas minhas costas. Porque o haveriam de fazer?
Quando eu era adolescente, pensava que o meu umbigo era o centro do mundo. Porque não haveria de o ser?
Quando eu tinha vinte e poucos anos anos, tive uma amiga, namorada de um conhecido meu,que enquanto me beijava, repetia quando lhe convinha, " coração que não vê, coração que não sente". Que mais poderia dizer?
Acto Quarto
Hoje, sei de gente que finge não saber. Que mais poderá fazer?
Igreja do Carmo
Rua de D. Manuel I - Antiga Rua de Santo Estevão
Travessa do Cepo em Beja

Ontem revelei o Rolo a Preto e Branco da minha lata de rebuçados.
Descobri um novo truque, que está a deixar a minha filhota estupefacta ( e eu também!).
A Árvore e a Mesa


Vila Real de Santo António tem um centro. Um umbigo. Um omphalus.
Quando me perguntam o que falta em Beja eu digo sempre o mesmo. Falta-lhe um centro. Um ponto que ordene. Uma referência.
E enquanto esse ponto não for encontrado, tudo em Beja parecerá disperso, sem sentido. Por muito que se faça.
E se não for possível encontrar o umbigo ( omphalus), então ter-se-a que obter um, nem que para isso se tenha que refundar Beja, a partir desse ponto.
Não julguem que esta é uma conversa sem sentido.
Na história, na arte, na natureza, encontramos esses pontos, esses centros, a partir dos quais tudo constrói, tudo se desenvolve.
É um arquétipo.
Veja-se a cerimónia de construção de um igreja, que tentarei expôr de memória
Sob um terreno ( símbolo do caos), espeta-se uma vara. Com a ajuda de uma corda traça-se um circulo em redor desse centro ( compasso ), delimitando portanto o terreno sagrado ( ordem).
Quando nascer o sol, traça-se um ponto, onde a sombra da vara tocar o circulo. ( Oeste). Quando o sol se esconder, traça-se um ponto onde a sombra da vara voltar a tocar o circulo ( Este). O Sul e o Norte são obtidos pela perpendicular ( Esquadro). Obtidos estes quatro pontos cardeais, centra-se em cada um deles o compasso, com a abertura idêntica ao raio do circulo inicial, traçando-se círculos.
Onde estes tocarem no circulo primordial, estão encontrados os cantos do templo ( NE, NW, SE, SW). Com a porta para Oeste e o Altar para Este.
Assim se contruiam os templos. A partir de um centro, que recriava o Alfa.
Assim compreendeu Marquês de Pombal, quando mandou construir Vila Real de Santo António.
Assim comprendem os velhos pedreiros, que nos montes alentejanos situam o centro ao redor da lareira, simbolo por excelencia do constacto do material com o espiritual.
Assim compreendam os que têm que compreender.
O Pote da Bruxa