O Barco




O meu amigo é pintor


Quando quer esconde-se no Mar
Diz então que vai para casa






Locais III

Passagem para a Praça D. Manuel I através do Largo da Corredoura

Fotografia Estenopeica



Nos finais do Sec XVI ou inícios do Sec XVII , abriu-se uma "porta" nas muralhas de Beja, a fim de permitir a passagem entre o Largo da Corredoura ( actual estacionamento subterrâneo) e a praça D. Manuel ( actual praça da Republica).

Alguns anos mais tarde, construiu-se a Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres, junto à Ermida de Santo Estevão ( já referida neste Blog), passando a partilhar o Adro desta.

Veja-se a este proposito a importância que o Culto Mariano teve nos finais da Idade Média.

Actualmente este Arco marca o incio da Rua Abel Viana, antiga Rua dos Prazeres.

Aqui fica um mapa de finais do sec XIX, ainda com denominação anterior.





Alegoria em Quatro Actos

Acto primeiro


Quando eu era pequeno pensava, e acreditava profundamente, que ninguem dizia mal de mim, nas minhas costas. Porque o haveriam de fazer?

Acto Segundo


Quando eu era adolescente, pensava que o meu umbigo era o centro do mundo. Porque não haveria de o ser?


Acto Terceiro


Quando eu tinha vinte e poucos anos anos, tive uma amiga, namorada de um conhecido meu,que enquanto me beijava, repetia quando lhe convinha, " coração que não vê, coração que não sente". Que mais poderia dizer?



Acto Quarto



Hoje, sei de gente que finge não saber. Que mais poderá fazer?

Locais III

Igreja do Carmo
Panorâmica obtida através de duas Fotografias Pinhole


Esta é a Igreja do Carmo, situada em Beja.

No fim de Tarde, e já de regresso a casa parei por uns momentos, tentando aproveitar a luz já fraca.

Apontei a lata de rebuçados e tirei duas fotografias, as quais uni com o Photoshop a fim de obter uma imagem panorâmica.

O Carro que está mesmo em frente à máquina surgiu ali na pior hora.

Para além de ter tapado um pouco a vista, senti algum desconforto quando os olhares de quem dele descia, pareciam procurar nos meus uma justificação válida para o facto de estar com uma lata preta, cheia de fita-cola, parado no passeio, a olhar para uma igreja, a contar até trinta.

Sorri. E eles riram.


Adiante.

Esta Igreja é actualmente usada como Igreja da Paróquia de São João Baptista.

E porquê?

Vejam o post sobre a Travessa do Cepo ( Locais I), e reparem que em 1920 foi derrubada a Igreja de São João Baptista, que se situava junto ao Teatro Pax-Julia.

Era essa a Igreja Paroquial da Freguesia.

Tentei saber a data da sua fundação, não o descobri.

Contudo deixo um dado interessante...

Em 1808, na Véspera de São João Baptista, o Povo de Beja revoltou-se contra o exército Francês.

Resultado: Massacre da Cidade!

Os Franceses fazem soar, junto ao Bairro das Alcaçarias o toque da degola e entram por Beja a dentro através da Porta de Aviz...

No final ainda há tempo para executar alguns (mais de mil) Bejenses junto à Igreja do Carmo, num terreno baldio, tendo sido aberta uma vala comum.

Se os corpos já foram inumados, se o local da vala é conhecido...não sei.

Sei que o massacre foi tão forte que os Franceses chegaram a afirmar no dia seguinte: Alentejanos: Beja Revoltou-se, Beja já não existe.

Parece que esta Igreja está desde há muito ligada a São João Baptista... Se acreditasse nestas coisas diria que São João Baptista quis de alguma forma honrar os mártires de 1808...promovendo ( ou permitindo) o derrube da sua Igreja em 1920, a fim de ser esta a sua Igreja Paroquial... Mas como não acredito... Seria o mesmo que afirmar que Judas....

Aqui fica o mapa de 1890, em que se vê a Igreja do Carmo ( canto superior esquerdo) já fora do perimetro da Cidade. Qual seria o terreno baldio? Parece óbvio.





Locais II

Rua de D. Manuel I - Antiga Rua de Santo Estevão

Andava eu a passear, com a minha "lata-máquina-de-tirar-fotografias" em Beja, já a preparar-me para voltar para casa, quando algo me disse para entrar nesta rua.

Senti... da mesma forma que sentimos algum desconforto quando nos estamos a esquecer de algo...

Voltei para trás, pensando...mas afinal o que haverá de interessante nesta rua?

50 metros à frente e deparo-me com a imponente Torre de Menagem, a sair dos telhados do fim de rua.

Ele há coisas do arco-da-velha.

Apontei a minha Canon para registar a luz existente. Fiz uns cálculos...Destapei a minha lata de rebuçados durante 10 segundos. Revelação na Loja do Sr. Espinho. Digitalização e tratamento final para dar um efeito granulado.

E aqui está ela.

Sei pouco acerca desta rua.

Actualmente chama-se rua D. Manuel I, talvez em memória do antigo nome da Praça da Republica.

Já foi a rua de Santo Estevão, devido ao facto de no seu inicio, encostada à Igreja dos Prazeres, se encontrar a Ermida de Santo Estevão que foi fundada em finais do século XIII para jazigo do cavaleiro Estêvão Vasques. Já foi celeiro, mas em 1940 reabriu ao culto.

É de facto um sitio a visitar.

Deixo-vos um mapa dos finais do sec. XIX, em que se percebe a orientação da rua em relação á torre de Menagem. ( Torre de Menagem no canto inferior esquerdo, e a Rua de Santo Estevão com inicio no canto superior direito)

E deixo uma pergunta: Seria descabido voltar a chamá-la de rua de Santo Estevão? Assim como assim, entre nome de Rei e nome de Santo, escolha-se o que tem mais sentido. A Republica não se importa.



Espero pelos vossos comentários.

Locais I

Travessa do Cepo em Beja

Esta é a primeira fotografia estenopeica do novo tema deste Blog.
Irei percorrer locais que, estando assinalados nos antigos mapas, continuam de pé em 2008.

É acima de tudo um convite à participação de todos. Por um lado através dos comentários que entenderem por bem fazer acerca dos mesmos, as suas histórias e estórias, os seus segredos...

Por outro, também colocarei aqui as imagens que me enviarem.

Basta que as mesmas sejam estenopeicas, obtidas com recurso a processos alternativos ou reproduções de fotografias antigas.

Esta foi tirada com uma lata de rebuçados, na Travessa do Cepo, em Beja. Junto ao Karas.

É uma janela de um passadiço.

Já há muito que a queria fotografar.

Só hoje, é que o resolvi fazer.

E fi-lo depois de perceber duas coisas:

1.º Que se podem obter imagens com relativa qualidade, quando se compreende que a fotografia é essencialmente luz e tempo, e concomitantemente, que a linguagem do Universo é a Matemática.


2.º Que não há problema nenhum em andar pelas ruas de Beja com uma lata de rebuçados, atada com fita-cola, a tirar fotografias ao que bem nos apetecer .

E aqui fica.


Deixo igualmente o recorte do mapa de Beja dos Finais do Sec XIX, em que se vê do lado direito a travessa do Cepo, estando assinalado com um x dentro de um rectangulo( passadiço) a janela da fotografia que vos trago.


Dados que tenho sobre esta travessa:

Em 2006 foi autorizada uma prospecção arqueologica, sob a direcção de Isabel Ricardo.

A Travessa do Cepo vai confluir no Largo de São João, onde existia a Paróquia de São João Baptista que vemos no Mapa. Foi demolida em 1920.

No entanto ainda consegui encontrar uma fotografia, na página da Câmara Municipal de Beja (aqui), da autor desconhecido, realizada em 1900, em que no lado direito, ainda se consegue vislumbrar parte da Igreja de São Jão Baptista.
Arquivo CMB

De referir ainda que nesta altura se usavam as provas obtidas com prata e gelatina, ( tal como nesta imagem) num processo chamado de chapas secas de gelatina. Quem tiver interesse pode visitar neste link


Se alguém usar ainda este processo, ou estiver disponivel para o experimentar, pode mandar uma mensagem que eu alinho.


Fotograma


Esta imagem é um fotograma, obtido pelo processo lumentype.

São Trevos. Trevos que recolhi do Jardim.

Haverá algum de 4 folhas?

Acácia Amarela


Cortaram as árvores do Jardim.

A Beatriz ainda tentou colar os ramos, mas temo que não seja suficiente.

A árvore que ela subia foi cortada..." não sabiam que eu gostava desta árvore".

Compreendo-a.

Tal como compreendo os outros.

São perspectivas diferentes, são mundos diferentes. Nada nos impede de viver juntos, no mesmo planeta.

Fui andando, enquanto ela me fazia as suas queixas... Procurando que o seu Jardim voltasse a ser o que era, como que pudesse ressuscitar.

Olhei então para um canto, onde tinham juntado folhas e ramos cortados...encontrei duas de acácia, já amarelas.

Anda Beatriz que já se faz tarde, disse a mãe.

Saí do Jardim, com um sorriso nos lábios, cantarolando uma música de Luis Gonzaga....

"Ela é tão linda é tão bela, Aquela acácia amarela, Que a minha casa tem..."


Cheguei a casa e digitalizei-as para vos mostrar.

Beatriz

Não foi desta que consegui enquadrar a fotografia.

Beijinho Beatriz.

Casa do Campo

Ontem revelei o Rolo a Preto e Branco da minha lata de rebuçados.

Surgiram casas tortas, sombras, flores, alforrecas, terras....

É sempre uma surpresa.

Em breve chegarão quimicos em forma de cristais, ácidos, nitratos.

Deixarei de comprar rolos de fotografia, reveladores e fixadores.

Talvez acabe por me queimar com o Nitrato de Prata ou ficar envenenado com os vapores do mercúrio... tal como os velhos alquimistas...

Mas será uma experiência ...interessante.

Desde a luz, passando pelo tempo, pelo calor, pelos sais mercuriais...tudo será vertido e aquecido no athanor.

Surgirá assim uma obra, uma pequena obra...talvez sobre a forma de uma casa torta e escura.

O Pequeno e o Grande

Descobri um novo truque, que está a deixar a minha filhota estupefacta ( e eu também!).

Com facilidade podemos transformar o nosso scanner de mesa num pequeno microscópio...

Basta realizar a digitalização dos objectos como se de um negativo fotográfico se tratasse.

Rapidamente a Beatriz foi à procura de penas de pássaro, açucar, fios de cabelo....

Evitámos formigas e moscas porque "essas têm os olhos esbugalhudos".


Esta imagem é de cristais de açucar.


Quem procura conhecer o grande, deve primeiro observar o pequeno. Em tudo.

(excepto moscas e formigas)

Fim de Semana


Fotografia Estenopeica de Vila Real de Santo António - Marina
Começou o Fim de Semana,
Este vai ser a sério, até Segunda!
Deixo-vos o link de um site interessante, ao qual sugiro uma visita pausada.
Combina a Fotografia Pinhole com Musica de Intervenção.
Não sabia ser possivel....
Abraço

Portas Fechadas


Há portas fechadas pelo Dogma..pela Ignorância...pelo Fanatismo.

Saibamos abri-las com a Tolerância...

Dicionário

بركة

Em Árabe

Barak, baraca, barakah,

significa tão só

bênção,

sabedoria espiritual transmitida ao discípulo pelo mestre



بركة

Monte Alentejano VI

A Árvore e a Mesa

Este era um fim-de-semana para descansar, e ir ver a família.

Malditas bactérias que elevaram a minha temperatura até perto dos 40 º

Maldita febre que fez o meu corpo tremer, qual adolescente à beira da primeira vez

Maldita dor de cabeça que não me deixou dormir

Maldita fraqueza que não me deixou levantar no Domingo a tempo...


Talvez o trabalho seja afinal mais importante que o descanso, pois quis a Divina Providência que estivesse bom na Segunda-Feira de Manhã.

Marina de Vila Real


Mais uma Fotografia Estenopeica

Para quem agora chegou a este Blog, eu explico o processo.

De uma lata de rebuçados, fiz uma máquina fotográfica...sem lentes, sem botões, sem mecanismos complicados...

Apenas com um furinho de agulha.

E lá vou tirando fotografias... E por vezes comentando.

Esta foi tirada na Marina de Vila Real de Santo António.

Hoje não comento.

Poderia falar do porquê de estar ali naquele momento,
Poderia falar ds recordações que tenho daquele local,
Poderia dizer que tenho saudades da antiga baixa-mar
Poderia dizer que tenho saudades da velha árvore de raízes gigantes que por ali havia,

Mas não. Fica para a próxima

Isabel


Fotografia Estenopeica de Isabel.

Pedir a alguém que fique a olhar 10 segundos para uma lata de rebuçados, e dizer-lhe que estamos a tirar uma fotografia...

E essa pessoa aceitar....e ainda por cima estar com ela casado....

Não é fácil.

Beijo Isabel

Mundo Estranho


Às vezes tenho a sensação de que o mundo anda a ficar estranho.

Sem comentários


Esta, não vou comentar.
É uma provocação.
Não a nenhuma instituição, não a nenhuma ideologia...
Apenas às nossas sensações....e emoções.
Bom fim de semana.
Estou cansado.

Origem: http://stefanolaico.multiply.com

Peregrinação




Este Verão que passou, foi recheado.

Por vários motivos

Um deles, prende-se com a imagem panorâmica que aqui coloco.

Não sei porque carga de água, em determinado dia, apeteceu-me ir à descoberta da natureza, de mochila às costas, farnel, calções, botas, mapas, gps, tenda, água, pastilhas desinfectantes, betadine, pensos rápidos....

Convidei um grande amigo e lá fomos.

Objectivo: "peregrinação " à Ermida do Livramento, perto de São Francisco da Serra.

Partimos de Grândola às 6 da manhã.

Fomos pela Serra de Grândola. Montes abandonados, minas, fontes, caminhos esquecidos, subidas...

Chegámos a Santa Margarida da Serra. Bebemos água, fumámos, comemos e falámos com um grupo de alemães que estava à espera de boleia para irem para Sines assistir ao Festival Musicas do Mundo.

Lá partiram numa caravana às cores, e nós a pé.


Chegámos, já sem água, à Ermida do Livramento.

Cansados e cheios de fome.

Felizmente havia lá em cima uns reservatório de água. Foi só colocar umas pastilhas desinfectantes e...voilá...boa água a saber a piscinas municipais.

Voltámos.... Com sede e ainda mais cansados.

Andámos 30 km.

Não sei se foi a Runa Yr que o Alex levou, ou se foi o facto de a minha esposa ter aparecido com o carro ...o certo é que chegámos a casa.

E ainda hoje não sei se foi uma peregrinação, uma iniciação, ou apenas um passeio comprido até à Ermida do Livramento, que o Eremita Ambrósio construiu.

Praça Marquês de Pombal

Vila Real de Santo António tem um centro. Um umbigo. Um omphalus.

E isso é importantíssimo para a identidade de uma terra, de um lugar, de uma casa, de uma pessoa.


Quando me perguntam o que falta em Beja eu digo sempre o mesmo. Falta-lhe um centro. Um ponto que ordene. Uma referência.

E enquanto esse ponto não for encontrado, tudo em Beja parecerá disperso, sem sentido. Por muito que se faça.

E se não for possível encontrar o umbigo ( omphalus), então ter-se-a que obter um, nem que para isso se tenha que refundar Beja, a partir desse ponto.

Não julguem que esta é uma conversa sem sentido.

Na história, na arte, na natureza, encontramos esses pontos, esses centros, a partir dos quais tudo constrói, tudo se desenvolve.

É um arquétipo.

Veja-se a cerimónia de construção de um igreja, que tentarei expôr de memória

Sob um terreno ( símbolo do caos), espeta-se uma vara. Com a ajuda de uma corda traça-se um circulo em redor desse centro ( compasso ), delimitando portanto o terreno sagrado ( ordem).
Quando nascer o sol, traça-se um ponto, onde a sombra da vara tocar o circulo. ( Oeste). Quando o sol se esconder, traça-se um ponto onde a sombra da vara voltar a tocar o circulo ( Este). O Sul e o Norte são obtidos pela perpendicular ( Esquadro). Obtidos estes quatro pontos cardeais, centra-se em cada um deles o compasso, com a abertura idêntica ao raio do circulo inicial, traçando-se círculos.
Onde estes tocarem no circulo primordial, estão encontrados os cantos do templo ( NE, NW, SE, SW). Com a porta para Oeste e o Altar para Este.

Assim se contruiam os templos. A partir de um centro, que recriava o Alfa.

Assim compreendeu Marquês de Pombal, quando mandou construir Vila Real de Santo António.

Assim comprendem os velhos pedreiros, que nos montes alentejanos situam o centro ao redor da lareira, simbolo por excelencia do constacto do material com o espiritual.


Assim compreendam os que têm que compreender.

Monte Alentejano V

O Pote da Bruxa

O caldeirão é visto como um recipiente de transformações: transforma raízes e plantas em remédios poderosos; transforma alimentos orgânicos em deliciosos cozidos.
Da mesma maneira, a mulher transforma uma semente (espermatozóide) em uma criança, e esta é a grande associação do caldeirão com o ventre da Mãe. O caldeirão pode ser usado para cozinhar, fazer poções, conter bebidas. Também pode ser enchido com água, fogo, flores ou outros itens em épocas específicas do ano ou em determinados rituais.

O Caldeirão da Bruxa, surge assim como a face feminina do athanor do Alquimista.
Representando, mais uma vez, por retorno, a imagem do ventre.

Nada há de estranho nesta tradição.

Tornou-se contudo incompatível com a religião dominante, em determinada fase da historia, e foi obrigada a esconder-se, a diluir-se.

As bruxas eram verdadeiras sacerdotisas, irmãs dos magos.

Ainda hoje as há. Tal como os magos, os alquimistas, os bruxos....é só uma questão de procurar.

Por exemplo, a D.ª Raminhos, descendente dessa Tradição, que nos diz sabiamente:

Um dos grandes segredos dos curandeiros é o de compreenderem instintivamente a importância que a natureza desempenha no equilíbrio e cura de outra parte importante de si própria: o homem. Nada nem coisa nenhuma provém de outra fonte. Tudo dela emana e a ela tudo retorna. Alimenta-nos, dá-nos a luz, a felicidade e a vida que perpetuamos uns através dos outros. Põe ao nosso alcance tudo o que necessitamos para cumprir essa missão. Basta-nos estar atentos e respeitá -la. O homem nada descobre de novo, nada inventa. Já tudo a natureza possui à espera que o decifremos e entendamos.


É a ela e às outras irmãs que dedico esta postagem.

Maria da Encarnação Raminhos