domingo, 2 de novembro de 2008

Monte Alentejano V

O Pote da Bruxa

O caldeirão é visto como um recipiente de transformações: transforma raízes e plantas em remédios poderosos; transforma alimentos orgânicos em deliciosos cozidos.
Da mesma maneira, a mulher transforma uma semente (espermatozóide) em uma criança, e esta é a grande associação do caldeirão com o ventre da Mãe. O caldeirão pode ser usado para cozinhar, fazer poções, conter bebidas. Também pode ser enchido com água, fogo, flores ou outros itens em épocas específicas do ano ou em determinados rituais.

O Caldeirão da Bruxa, surge assim como a face feminina do athanor do Alquimista.
Representando, mais uma vez, por retorno, a imagem do ventre.

Nada há de estranho nesta tradição.

Tornou-se contudo incompatível com a religião dominante, em determinada fase da historia, e foi obrigada a esconder-se, a diluir-se.

As bruxas eram verdadeiras sacerdotisas, irmãs dos magos.

Ainda hoje as há. Tal como os magos, os alquimistas, os bruxos....é só uma questão de procurar.

Por exemplo, a D.ª Raminhos, descendente dessa Tradição, que nos diz sabiamente:

Um dos grandes segredos dos curandeiros é o de compreenderem instintivamente a importância que a natureza desempenha no equilíbrio e cura de outra parte importante de si própria: o homem. Nada nem coisa nenhuma provém de outra fonte. Tudo dela emana e a ela tudo retorna. Alimenta-nos, dá-nos a luz, a felicidade e a vida que perpetuamos uns através dos outros. Põe ao nosso alcance tudo o que necessitamos para cumprir essa missão. Basta-nos estar atentos e respeitá -la. O homem nada descobre de novo, nada inventa. Já tudo a natureza possui à espera que o decifremos e entendamos.


É a ela e às outras irmãs que dedico esta postagem.

Maria da Encarnação Raminhos
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