segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Praça Marquês de Pombal

Vila Real de Santo António tem um centro. Um umbigo. Um omphalus.

E isso é importantíssimo para a identidade de uma terra, de um lugar, de uma casa, de uma pessoa.


Quando me perguntam o que falta em Beja eu digo sempre o mesmo. Falta-lhe um centro. Um ponto que ordene. Uma referência.

E enquanto esse ponto não for encontrado, tudo em Beja parecerá disperso, sem sentido. Por muito que se faça.

E se não for possível encontrar o umbigo ( omphalus), então ter-se-a que obter um, nem que para isso se tenha que refundar Beja, a partir desse ponto.

Não julguem que esta é uma conversa sem sentido.

Na história, na arte, na natureza, encontramos esses pontos, esses centros, a partir dos quais tudo constrói, tudo se desenvolve.

É um arquétipo.

Veja-se a cerimónia de construção de um igreja, que tentarei expôr de memória

Sob um terreno ( símbolo do caos), espeta-se uma vara. Com a ajuda de uma corda traça-se um circulo em redor desse centro ( compasso ), delimitando portanto o terreno sagrado ( ordem).
Quando nascer o sol, traça-se um ponto, onde a sombra da vara tocar o circulo. ( Oeste). Quando o sol se esconder, traça-se um ponto onde a sombra da vara voltar a tocar o circulo ( Este). O Sul e o Norte são obtidos pela perpendicular ( Esquadro). Obtidos estes quatro pontos cardeais, centra-se em cada um deles o compasso, com a abertura idêntica ao raio do circulo inicial, traçando-se círculos.
Onde estes tocarem no circulo primordial, estão encontrados os cantos do templo ( NE, NW, SE, SW). Com a porta para Oeste e o Altar para Este.

Assim se contruiam os templos. A partir de um centro, que recriava o Alfa.

Assim compreendeu Marquês de Pombal, quando mandou construir Vila Real de Santo António.

Assim comprendem os velhos pedreiros, que nos montes alentejanos situam o centro ao redor da lareira, simbolo por excelencia do constacto do material com o espiritual.


Assim compreendam os que têm que compreender.

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