A pedra rejeitada, uma história de Pedreiros e Pescadores


Fotografia Estenopeica,Filme Fomapan 400 Revelado em XTOL


Ontem estive até de madrugada no meu laboratório.

Revelando, fixando, observando, calculando....

Tinha na mão quatro rolos para revelar.

Dois de uma Canon, dita normal, com os seus temporizadores, obturadores e botões.

Um de uma máquina estenopeica, elaborada sob os mais rigorosos cálculos.

Outro, um velho rolo, de uma máquina falhada, mal concebida ( porque foi a primeira que fiz), que tinha decidido acabar de gastar aquando da minha última saída por Beja, a Idolátrica ( não essa era Braga ).


Fiz uma nova po(r)ção de revelador fresco - Kodak Xtol

Refresquei o Fixador ( de um bidon de 20 litros que encontrei junto ao um contentor do lixo...verdade!)

Até fiz um banho de paragem, com a mistura que se vende e não com vinagre.


...Quando hoje acordei ...depois de os negativos estarem secos, reparo que a melhor ( def: a que mais gostei) das mais de cem fotografias, foi a que coloco neste post.

Precisamente obtida com a tal lata velha e inestética.

Simples.
Tirada num dia em que entrei pela praia de melides, por um atalho onde encontrei este velho barco abandonado junto à lagoa.


Constato assim que consigo tirar fotografias mais interessantes com máquinas estenopeicas, e por vezes até mais focadas (!), do que com máquinas normais.

Aliás nunca fui fotografo, paradoxalmente, o meu interesse por fotografia surgiu após o interesse pelo processo estenopeico, após o gosto pela revelação e ampliação.

E é por aí que vou continuar.

Por outro lado, aprendi, apesar de reconhecer que já me tinha esquecido, que nunca devemos rejeitar o outro pela sua aparência, pela sua aparente inabilidade em conseguir alcançar algo.

Tratei a máquina primordial, como algo que não prestava, porque "agora já dominava melhor a técnica", e esqueci-me que se gosto da fotografia estenopeica, é precisamente por ela ser desprovida de elementos sofisticados e acessórios.

Acabei por, e os psicólogos que digam de sua justiça, recusar a minha própria origem. Troçando e desconfiando dos meus primeiros passos nesta forma de obter imagens.

Foi uma lição.

E por isso deixo o seguinte texto, que há tempos foi lido, em determinada ocasião, por um mestre.

Fala da pedra que foi rejeitada pelos construtores, mas que afinal era ela a essencial à construção do edificio.

(Para o meu amigo Padre da ICAR: Repara irmão que esta verdadeira alegoria maçónica, é o natural desenvolvimento das seguintes palavras de Jesus: A pedra que os construtores rejeitaram. tornou-se pedra angular. )

fica assim, num sentido ecuménico, e como parábola para o nosso crescimento, o texto, que podem acompanhar no Blogue Évora Oculta, e que um dia me foi lido, mas que parece que depressa esqueci.

Nem de propósito..Um texto maçonico e uma fotografia de barco de pescadores.

É como diz o outro...é por linha tortas...



"A PEDRA ANGULAR, por Emanuel do Blog Évora Oculta

A pedra angular é, na terminologia simbólico-maçónica, a base fundamental dos edifícios. Todo o edifício terá a sua pedra fundamental. O nosso corpo, a nossa sensibilidade, a nossa mente, a nossa intuição enquanto edifícios construídos ao longo da nossa vida terrena - a que conhecemos minimamente - todos eles têm a sua pedra angular.
A estabilidade de um edifício depende da colocação equilibrada e correcta daquela pedra! Olhemos em nós e rebusquemos no nosso interior em demanda das nossa pedras fundamentais. Procurar ver se foram bem talhadas e se estão colocadas no devido local do nosso imenso edifício vital.

Segue-se uma história contada por Daniel BeresniaK. Ela fala-nos sobre a construção de um edifício e sobre a escolha da pedra angular desse edifício pelos doutos mestres-pedreiros. No fundo esta história serve para colocar a questão sobre quem estará mais preparado para contribuir para a construção e escolha da pedra angular - o aprendiz ou o mestre? E o que é ser aprendiz ou ser mestre? Passemos então à sua leitura e reflexão:



E a pedra recusada pelos construtores tornou-se a pedra angular

«Àquele que bate à porta dos construtores excelentes, é pedida uma prova da sua qualificação. Assim, o suplicante submete com humildade a sua obra aos oficiais guardiães desta Câmara de Excelentes. Esta obra , é uma pedra talhada, a imagem de si próprio, projecção mineral da sua entidade invisível, conquistada e percebida em geometria.
Os Guardiães examinam a pedra, voltam-na e tornam a voltá-la, julgam-na segundo as normas do saber de que são os depositários e por fim rejeitam-na.

A pedra não está conforme. Ela não tem o seu lugar no edifício em construção e é arremessada para o refugo.


De cabeça baixa, envergonhado, o autor desta pedra falhada não opõe senão o silêncio aos sarcasmos de desprezo e às críticas pontificantes.

Ele perturbou a reunião dos arquitectos.

Foi rejeitado.

Mas, no instante preciso em que ele ia ser posto para fora, a chegada do Mestre Arquitecto, autor do plano geral do edifício, é anunciada.

Não há mais tempo para abrir a porta a fim de expulsar o intruso, pois poderia encontrar-se face a face com o Mestre Arquitecto e ofender a sua visão. Rapidamente, o intruso é dissimulado por entre os refugos do estaleiro da construção e a douta assembleia faz entrar o Mestre Arquitecto, com as honras devidas à sua posição.

O Mestre Arquitecto, depois de se ter deixado honrar segundo os usos, anuncia que a construção do edifício está a chegar ao fim e pergunta se o fecho de abóbada já foi talhado. De seguida, após ter escutado por um instante o silêncio embaraçado da assembleia, o Mestre anuncia aos oficiais guardiães que essa pedra existe e que convinha procurá-la.


Todos procuram, mas não a encontram.

Então, o Mestre Arquitecto dirige-se em direcção aos refugos, onde ainda ninguém tinha procurado. Descobre o fecho de abóbada por entre a pilha de pedras rejeitadas. Examina-a e julga-a perfeita.

Esta pedra, diz ele, é aquela que felizmente concluirá o edifício; é aquela que ele esperava e com a qual ele sonhava desde o início da obra. Diferente das outras, é por ela que as outras se segurarão e é por ela que as outras foram talhadas. Como é possível que ela tenha sido rejeitada? E contudo assim o deveria ter sido porque a construção durou tempo demasiado. Os construtores perderam de vista o sentido e a finalidade do seu trabalho. Instalaram-se nos seus hábitos. A repetição dos gestos embotou-os mentalmente: confundiram o fim com os meios, esqueceram o essencial, fizeram passar por normas absolutas as normas relativas nas fases transitórias. Terrível falta contra o espírito, pecado fundamental, eis aquilo portanto em que os oficiais guardiães desta douta assembleia se tornaram culpados.

“Como se poderá construir – clama o Mestre Arquitecto – se projectamos o presente no futuro, se somos incapazes de conceber outra coisa do que aquilo que já existe?”

Depois de ter esmagado a assembleia sob o peso da sua justa cólera, o Mestre Arquitecto ordena que lhe apresentem o autor da pedra há tanto tempo esperada. Os Oficiais Guardiães trazem respeitosamente para fora da pilha de refugos, aquele que tinham condenado e por detrás da qual eles o haviam dissimulado. O Mestre Arquitecto abraça-o e lhe torna a entregar o malhete, signo de autoridade, o qual não deverá ser confiado senão ao verdadeiro detentor de um saber-fazer, sob pena de desordem prejudicial ao edifício.

– Tu presidirás a fase mais delicada da construção – diz-lhe o Mestre.

– Somente tu és qualificado para o fazeres, porque és o autor da pedra única, a do ângulo. A tua obra é aquela pela qual o desafio que lancei às leis da gravitação será vitoriosa. Somente tu, aqui, és digno do título que transporto. Assim que tiveres colocado a tua pedra, conceberás o plano de um outro edifício, mais belo, mais forte e maior do que este.»

(in "Le “gai savoir” des bâtisseurs", por Daniel BERESNIAK, Éditions Détrad,2ème Édition,Paris,1986)"

in Évora Oculta

Acabo de sair do Laboratório

São duas e meia da noite...ou da manhã

Estive duas horas no laboratório a preparar novas soluções ( kodak xtol) e a revelar filmes ( Foma 400 obturados a 200 Iso).

Experimentei ainda o Xtol diluído ( julgo que foi um erro pois a diluição tende a aumentar ainda mais a velocidade do filme), reaproveitando-o sem aumento de tempo para a segunda revelação.

Obtive negativos menos densos da segunda vez e estou esperançado.

Daqui a 10 minutos vou tira-los da água.

Amanhã mostro. Estou cansado.



Boa noite.


PS- Tenho que encomendar mais filme. Só tenho um rolo já feito, que vou experimentar aumentando dois stops, tratando-o como se fosse 1600 Iso.
Vai ser só grão. E se fosse a 3200? U...seu minimalista!

Rua dos Correios, assim em jeito de carta

Fotografia de Pedro Horta


Tenho percorrido as Ruas de Beja em busca de velhas marcas

Portas, torres ,vestígios de edifícios outrora existentes, janelas....

Mas tem sido difícil, por vezes encontrar a informação necessária.

Torna-se necessário actualizar, urgentemente, o cadastro do património arquitectónico e cultural de Beja, e disponibilizá-lo, assim, ao alcance de um click. ( parte deste trabalho é verdade que está a ser feito pela CMB, mas repito, parte)

Hoje percorri algumas ruas e Travessas (Esquivél, Cisterna, Moura, Padre Plácido), e constatei que os números de policia não coincidiam com a informação disponível sobre a cantaria do sec. XV a XVIII.

Hoje ao percorrer as rua de Beja, reparei que a porta da torre adjacente à Igreja de Santa Maria ( junto portanto ao antigo edifício da Caixa Geral de Depósitos - antiga capela do Rosário) estava aberta, arrombada, com bastante reboco no chão.

Hoje reparei que algumas cantarias foram nos últimos 50 anos removidas ( alteradas, tapadas), sem motivo aparente.

Hoje levei pessoas de Beja, numa visita à parte velha da cidade, explicando, o que conseguia.

Ficaram encantadas com a riqueza desta nossa terra...e tristes, ao mesmo tempo, por faltar a sua divulgação/protecção/aproveitamento. Outros Concelhos, outros distritos, com muito menos fazem mais.

Amanhã irei ao Arquivo Fotográfico e depois ao Arquivo Distrital.

Para quando uma digitalização do seu acervo? Para quando uma proposta de aquisição de alguns acervos que por ai existem?

E já agora, porque para bom entendedor meia palavra-basta...

Será que estamos a proteger o nosso espólio cultural...será que neste momento não existe um silêncio/esquecimento face a uma situação grave que está a ocorrer com um dos maiores espólios do distrito???


Se calhar sim.

Praça da Republica em Beja



Fotografia : Pedro Horta

Exposição

Fotografia Pedro Horta


Agora é que vou de férias.

Espero ver tudo o que me apetecer...e não apenas o que me é imposto.

s/n



Às vezes gosto de olhar para cima.

Sede


Pedro Horta

Portas de Beja





Fotografia: Pedro Horta


Fotografia, normal, de uma Porta. Nada mais.

...Num dia em que me deixei levar pelas ruas de Beja, reparei em velhas portas...

Os Arcos Manuelinos da Praça da Republica em 3D

Foto Pedro Horta

Mais uma imagem a 3D de Beja. O ponto central é a primeira coluna.

Já sabem...óculos do Monstro da Lagoa Negra.

Por aí

Fotografia Pedro Horta



Por onde tens andado?

Por aí...

Olha, hoje estive a percorrer Beja com uma mapa de 1870...

Curioso...está tudo tal e qual. Gosto disso.


Sabes ( agora leitor), ao virar da Esquina eram os antigos correios de Beja.

Esta , agora Rua Afonso Lopes Vieira, ( um poeta de Leiria, que também falava do Encoberto e das coisas do Graal), chamava-se por isso Rua do Correio.

Gosto desta faceta de Beja. O seu Centro histórico mantém a sua traça e a sua denominação, e quando a alterou (?) mantem a referência. Melhor fosse se não tivesse sido alterada.

Deixo, contudo uma duvida no ar, presumindo decerto que não foi engano...

A actual Travessa da Guia, que vai de facto dar à Rua da Guia, não tinha essa denominação em finais do sevulo XIX. Aliás...não tinha denominação nenhuma...Não sei se por se considerar a continuação da Rua dos Paos.

A verdadeira Travessa da Guia, e que tinha de facto essa denominação, era a que subia as escadinhas de Aviz e ia dar à Rua da Guia. Parece-me que é a actual Rua do Arco de Aviz.

Que foi, a titulo de curiosidade, por onde entraram os Franceses para saquear Beja nas vésperas da noite de São João de 1808.

Será que a denominação de Terreiro das Peças, adjacente a esta porta tem a ver com a sua função bélica?

Não sei. Se alguém souber que nos diga.