Fui a Lisboa e não levei máquina.

Estive hoje o dia inteiro em Lisboa.

Como bom pacóvio que vai à Capital fiquei abismado quando o carro se meteu por becos e vielas, com monumentos e palacetes, avenidas e jardins.

Hoje estive o dia inteiro em Lisboa.

Eram nove da manhã quando o Sr. Doutor me disse que já podia voltar a saltar e acorrer e andar no campo.
De um momento para o outro deixei, como que por magia, de me preocupar com costas e radiografias e tac's e pernas maiores que outras que são por outro lado mais pequenas e nervos entalados nas vertebras e nos discos e posturas tortas e olhos estrábicos e o diabo a sete que me acompanhavam desde que um dia  que o médico me viu a correr todo torto nas ruas de Beja.

Hoje estive o dia inteiro em Lisboa.

Eram dez da manhã quando passei por sítios que já não via desde que era adolescente.
Passei pelo Ministério da Educação, onde participei numa manifestação da qual me foi tirada um fotografia que por sorte/azar foi a primeira capa da revista O MILITANTE  ( sim, eu já fui capa de revista, como a Matadinho). Passei por uma rua onde ficava o consultorio de dermatologia de um médico famoso que me curou com Roacutan e volta e meia me mandava um cartão a perguntar como é que estava o meu fígado.... Passei pela Assembleia da Republica, onde levei uma (ou duas) vargastada nas costas, por um senhor do Corpo de Intervenção só porque estava em cima do leão com uma barra de ferro que servia de pau a uma bandeira negra. Passei pela Baixa onde um dia às cinco da manhã me deliciei com os bolos do dia anterior que eram trocados por um funcionário ( eu e os outros manguelas que me acompanhavam). Passei pelo Instituto Jean Monet onde um dia o meu pai me foi levar à noite para apanhar o autocarro que me transportaria a Paris, Estrasburgo, Donostia e Hendaia a convite do Parlamento Europeu., naquela que foi a viagem da minha vida. Passei pelo Jardim Zoológico que visitei em pequeno e onde já levei a minha pequena, num dia de sol que vencendo o medo de andar de carro em Lisboa decidi aventurar-me até ao Parque das Nações...e apanhar o táxi.

Hoje estive o dia inteiro em Lisboa.

E não levei a minha máquina fotográfica.
Não faz mal, tirei uma fotografia com um método especial: Cardiotype.
Gravei as imagens directamente no meu coração.

Hoje fui passear.

Andei pelas ruas de Évora. Chovia. Chove sempre quando vou a Évora.

Procurei refúgio debaixo das varandas.

Faltavam ainda 3 horas para o comboio e chovia. Percorro várias vezes as mesmas ruas, até que me decido deter. Já estou farto de voltar a encarar a mulher das castanhas, o chinês que faz pássaros de folhas e o tipo que fuma cigarros nas arcadas.

Entro no café e peço uma bica e uma água com gás. Pago dois euros e quinze.  Sinto-me roubado. Tomo um comprimido para a dor de cabeça. 500mg devem chegar. A empregada vem limpar as mesas. Se me tira a chávena vazia... Agarro no copo de água fingindo ainda ter algo que me justifique por ali parar.

Faltam 2 horas e meia para o comboio. E o tempo não está bom para andar à chuva a tirar fotografias. Sobram-me meia dúzia de euros no bolso.Já não dá para almoçar sentado a uma mesa. Nem sequer está bom para  parar num banco de jardim para comer a sandes mista que trago dentro da mala, envolta nas máquinas e no avental.

Decido finalmente ir para a estação. Lá está mais abrigado. Molho-me.

Chove sempre em Évora.

Bebo mais um café. Está bom. Muito bom.

Como a sandes e bebo o pacote de leite. Fico uma hora a ver um jogo na televisão, sem perceber quem está a jogar. Agradeço às 4 diopetrias.

Tiro quatro fotografias mal esgalhadas medindo a luz a a olho.

Meto-me dentro do comboio. Adormeço com o calor do ar condicionado.

Acordo já em Cuba. O comboio pára em Beja e meto-me à chuva para casa.

Ao fim de 6 horas chego.


E assim percorri as Ruas de Évora.

Saudades


Desenho obtido através de Fotografia Estenopeica - Pedro Horta
/Largo da Porta Nova- Barcelos\



Para alguém que tem saudades da sua terra.


Os caminhos dos outros



Às vezes os caminhos são sempre a direito e perfeitamente delineados.

Mas esses não são os nossos caminhos.

São trajectos já percorridos por outros... que de tanto repetidos deixam marcas que nos conduzem aos locais onde outros já chegaram.

E assim...passamos uma vida inteira a fazer os caminhos dos outros, pensando que, afinal de contas, somos livres e donos dos nossos proprios passos.



Até já

Tenho evitado escrever muito no Blog. Por dois motivos.

O primeiro prende-se com uma subita falta de imaginação/insipração que me atormenta para estes e outros textos desde há dois meses para cá.
O segundo motivo....não sei.
Mas suspeito que seja a causa de tanto bloqueio.

Constato contudo que me tenho tentado desligar do computador. Cada vez mais estar à frente deste instrumento se torna mais penoso.

Sinto-me perante o PC ( personal computar, claro está) tal qual como  me sentia perante os SGs há alguns meses.

O resultado, com os cigarros, foi ter deixado de fumar.

Não se admirem portanto se não tiverem noticias minhas durante uns tempos.

Também não se admirem se amanhã voltar a escrever, todo entusiasmado acerca de uma caixa de sapatos que transformei numa máquina estrambolica qualquer.

Não sei.

Como vos digo, não sei o segundo motivo.

Monchique III


E assim terminam as fotos de Monchique.

Todas elas tiradas com uma velha máquina de caixa, Gevabox, dos anos cinquenta (acho) sem fotometro e com um duvidoso obturador.

Gostei.

Monchique II




Fuji Neopan Acros, Xtol 1:1

Monchique...numa manhã de nevoeiro


Uns e os outros, parte II


Fuji Neopan Acros 100, Xtol 1:2



Paro no café. Peço um café, um descafeinado e um leite Ucal, com copo e palhinha... já agora uma tosta de fiambre.

Chega um cão.

Lançam-se migalhas ao ser esfomeado.

Chega um homem.Senta-se ao lado.

Para ele não há migalhas.

Uns e outros, parte 1

Fuji Neopan Acros 120, Xtol 1:2