terça-feira, 14 de setembro de 2010

Novo procedimento relativo ao Lumentype

Comecei estas coisas da fotografia alternativa com uma simples lata de feijão, que furada, tirava fotografias. Era o niilismo.
Comecei então a interessar-me na obtenção de foto-grafia com materiais que outros ignoravam e rejeitavam.

Daí surgiu o próprio nome do blog : Foto de Cartão, obtida com os restos que mais ninguém quer...

É claramente um projecto alternativo e marginal, alquímico...

Comecei a aproveitar tudo, restos de máquinas, de filmes, de papeis fotográficos que se encontravam no lixo (literalmente)...

Uma das técnicas mais económicas é precisamente esta, a de aproveitar papel fotográfico, velho e já exposto à luz e portanto inútil para ampliação e revelação.

Baseada nos primórdios dos Salt Prints, em que papeis sintetizados com nitrato de prata e cloreto de sódio, eram utilizados para a obtenção de fotogramas/cópias sem recurso a reveladores químicos, surgiu modernamente o chamado Lumentype. 
O processo é simples...saturar de tal forma o suporte de brometo de prata que, através da radiação, ocorra a obtenção de prata metálica por separação do NaBr.

Em suma, o papel velho é colocado à luz, com um negativo por cima, até que uma imagem se forme no papel sem necessidade de reveladores químicos. 

Como podem ver neste blog, em postagens anteriores, utilizei esta técnica diversas vezes, tendo efectuado um scan imediato das imagens obtidas, pois não existia forma de as fixar convenientemente,

Como poderão ver pela literatura existente sobre o Lumentype, mesmo com a utilização de fixador numa proporção de 1:20 ( metade da que é utilizada para papel) a imagem esbatia-se, lixíviava-se e perdia a sua beleza.

Após algumas leituras simples, e as quais podem ser feitas por vós, sobre a forma de fixar Salt Prints e Van Dyke, percebi que a solução seria recorrer, mais uma vez, aos processos antigos para encontrar a solução para os novos processos.

Resolvi então experimentar fixar duas imagens iguais, obtidas com 20 minutos de exposição, em papel Rapitone da Agfa de forma diferente:

A 1.ª num fixador 1:20. ( dois minutos)
A 2:º num fixador caseiro, que fiz com uma solução de 15% de Tiossulfato de Sódio e 1% de Carbonato de Sódio. ( dois minutos)

A primeira imagem lixiviou por completo tendo desaparecido.

A segunda, após secagem ficou assim:

(retirada de um quadro de Dali)



No entanto resolvi experimentar uma terceira vez, pelo mesmo tempo, repetindo a fixação na solução alcalina de tiossulfato de sódio, precedida de 5 minutos em redutor de café.

De facto, e isso é fácil constatar, que se colocar um papel velho já exposto à luz num revelador normal irei obter uma mancha negra, fruto de redução do brometo de prata. Mas se experimentar o caffenol, ( café mais carbonato de sódio) irei obter uma revelação muito lenta, controlada, que irá activar a imagem obtida, muito mais depressa do que a restante área do papel.

E assim foi, tendo obtido a seguinte imagem:

  (mesmo processo mas pré-revelado em caffenol)


Assim, teremos um melhor método de utilizar os velhos papeis fotográficos, já exposto, na obtenção de fotogramas, permitindo a sua fixação e até ligeira revelação.
O segredo está no facto de se utilizar apenas o tiossulfato de sódio do fixador, obrigando a que se mantenha alcalino, a fim de evitar o lixiviamento que ocorre com as soluções ácidas.

Julgo que deve ser experimentado por todos os que utilizam o Lumentype. Com ou sem café.
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