domingo, 28 de setembro de 2008

Chamam-me maluco quando viro as costas


É com esta máquina que obtenho as imagens estenopeicas deste blog. Se repararem nada mais é do que uma lata de rebuçados que pintei (dentro e fora) com tinta preta.
Com um martelo e prego fiz um furo, que tapei com uma folha de aluminio.
Esta folha de aluminio ( que se ve na fotografia como um ponto branco) tem um pequeno furinho feito com a ponta de uma agulha.
Depois fiz dois furos na tampa da lata, de modo a permitir a colocação de dois botões. É com eles que rodo o rolo fotográfico que está no interior.
Quando pretendo tirar uma fotografia destapo-a ( a tal folha de alumínio)por breves segundos, retirando um pequeno iman que coloco em frente ao furinho.

Quando o rolo chega ao fim levo-a à loja do Sr. Espinho...e chamam-me maluco quando viro as costas....

sábado, 27 de setembro de 2008

Folhas secas caídas sobre uma toalha castanha

Hoje dormi até mais tarde. Estava a necessitar de pôr o sono em dia.
O Sábado é a melhor aspirina, para aquela dor de cabeça que começa a surgir à quinta-feira.
Quando acordei, vi a minha filha passar com uma tesoura em riste...."eu corto, eu corto".
Na sala, desfilavam os vasos, em cima de uma toalha...qual passarela de paris.
A Isabel indicava quais as folhas que estavam secas, as quais, com um corte certeiro e cirúrgico da Beatriz, caiam uma após outra na toalha castanha.

Perguntei se podia ficar com algumas.

Com a mão cheia de folhas, fui até ao meu laboratório e cortei uma folha A4 de papel fotográfico a preto e branco, já gasto, o qual tinha encontrado há tempos, num caixote com destino ao lixo.

Despejei-as ao acaso, por cima da folha

Procurei luz forte e encontrei o Sol a espreitar na janela do quarto.

Durante 15 minutos deixei ficar lá o conjunto a escurecer e a ganhar contornos.

Retirei as folhas e digitalizei o papel fotográfico.

A imagem desta postagem é o resultado em bruto do efeito do sol e sombra no papel fotográfico antigo e já exposto ao sol. Chama-se a este processo antigo Lumentype.

Assim perpetuei a imagem da manhã: folhas secas caídas sobre uma toalha castanha.


PS - Hoje às 19h50 estarei de volta de outras folhas. Participarei na maratona da leitura,que é promovida pela Biblioteca Municipal José Saramago em Beja. Irei ler o último excerto de 1001 Noites. Estou nervoso. Não apareçam.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Pensei que tinha saudades...

Se houve um filósofo em Portugal o seu nome é António Variações. O paradigma da insatisfação humana nunca foi tão bem sintetizado como em "estou bem, aonde não estou".
Eu explico:
Tirei esta fotografia com a pequena lata de rebuçados do lidl na praia de Melides. Aliás, no que resta de Melides.
Melides não era apenas uma praia, um areal, com direito à preservação, como todos os areais e dunas do mundo. Melides era um todo, e acima de tudo um simbolo da resistência ao mundo normalizado e etiquetado.
Era o Dunas, era o Ti António, eram as multidões de fim-de-semana, eram as ginjas, os cigarros de duvidosa marca fumados e partilhados, eram elas com o seu charme e a nossa embriaguez, eram as conversas, eram os desacatos, eram as bifanas, eram as roulotes dos turistas longínquos que nos pasmavam com as suas histórias, eram as cervejas bebidas em maior ou menor quantidade conforme o dia do mês, eram os minhoqueiros especialistas em assar frango, eram as barracas que um dia foram abaixo, eram as noites intermináveis ate ao nascer do sol, as discussões futeis travadas com os amigos de sempre, eram as dicas para se fugir à BT, eram os metros de cervejas quais torres inclinadas, eram os banhos ao luar com alguém que partilhava o segredo, eram as paixões consumidas no areal entre dois cigarros a coberto da noite, eram os segredos por todos partilhados, eram os camones e os seus cabelos, eram os anarcas do Melides Against Progress, eram os veraneantes do parque, eram os pretos de santo andré, os beatniks de álcacer, os arruaceiros de grândola...enfim, eramos nós todos que partilhávamos uma praia....
Mas um dia veio uma buldozzer, e todos fugiram.
E hoje Melides é apenas mais 2km de costa.
Para onde foram?
Se calhar não me interessa. Por momentos, pensei que tinha saudades...

sábado, 20 de setembro de 2008

Hoje fico em casa

O tempo está a mudar. Já vai fazendo um ventinho, aqui e acolá já aparecem umas nuvens que anunciam o fim deste verão.
Daqui a pouco vem a chuva, o frio...e começa a apetecer ficar em casa, a beber coisas quentes.
A Isabel ficou na sala a ler um livro, e eu tirei-lhe uma fotografia.

domingo, 14 de setembro de 2008

Rua de Sirvozelo





Esta fotograia foi tirada com a velha máquina mas sujeita, obviamente, a vários tratamentos. Aliás como a maioria das imagens que vou colocando neste blog.
No outro dia perguntavam-me acerca do porquê de editar um blog deste género, e qual a natureza das postagens que vou colocando.
Perdoem-me, mas não sou metalinguistico, nem gosto ( e acredito que poucos gostem) de explicar ( em boa verdade, às vezes é mais uma questão de não saber) tudo o que faço.
A ideia deste blog surgiu de uma pequena experiência que realizei com métodos alternativos de fotografia. A fotografia estenopeica, o processo lumen, Anthontype e outros.

Não sou um fotografo. Não consegui ainda obter um bom enquadramento, uma boa exposição.

As fotografias que vou tirando, as experiências que vão correndo assim assim...vem tudo para aqui.

Não sei mais. Não me perguntem por movimentos artisticos, por nomes sonantes da fotografia, por galerias famosas, ou porque é que mantenho este blog.

Simplesmente porque não sei!

Carro Antigo

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Espigueiro Azul de Sirvozelo


Talvez tenham sido as minhas melhores férias. Uma pequena aldeia no meio do Gerês. A água nascia debaixo de qualquer pedra. A paisagem...
Um dia vou lá voltar...mas para ficar.
Algures num vale esquecido, a plantar e a ver crescer. Puxar de um cigarro. Ler um livro.
um dia...um dia