segunda-feira, 28 de maio de 2012

O gajo do Pau




Há uns dias, numa animada conversa com um amigo meu, entendido nas coisas da psique, este falava-me de um facto recorrendo à imagem do Homem do Pau.

Eu já conhecia a do puto da bola. 
Aquele miúdo, que todos nós conhecemos, que quando perdia, ou não o deixávamos jogar onde queria, metia a bola debaixo do braço e lá ia resmungando certo da sua propriedade, impedindo os outros de jogar.

Mas esta do tipo de pau deixou-me interessado.

O Tipo de Pau é o fulano, pequeno e fraco, complexado, que de repente obtém o poder.

E em vez de administrar a sua força (leiam o primeiro capitulo do Moral e Dogma do Albert Pike, sobre a força do vapor e a sua utilidade) com vista à ordem desata à paulada com os outros. 

Recebe um pau, com o qual pode dar umas pauladas.

E assim, de repente torna-se grande, e vá de mandar pauladas nos outros.

Dá uma paulada e observa o efeito. E normalmente, habituado que está a curvar-se e a ver-se pequeno, gosta do que vê. 

E repete, repete...até o pau se partir, ou até estar sozinho. Voltando a ser outra vez um pequeno, digno de um livro de Aldous Huxley.

Eu tenho medo dos gajos do pau.

A propósito desta história lembrei-me de uma outra e imaginei ainda outra:

Quando era pequeno e tinha consciência política, defendia sempre, e para margem de qualquer duvida, os miseráveis, os pobres, os desempregados. E achava que todos eram bons. 

E todos os dias observava o cantoneiro que passava na minha rua, com ar infeliz, cabisbaixo, possivelmente com miúdos para criar. 

Pobre homem.... se um dia este homem tivesse poder o mundo seria diferente....

Assim pensava na minha infância.

Mas um dia vejo que o cantoneiro tinha um ajudante. Um pobre rapaz, da CERCI lá da terra, ainda mais miserável do que ele, limitado no entendimento, ainda mais inocente e puro do que o cantoneiro (estranho como a pureza ocupa o espaço deixado livre pela racionalidade).

Observei.

E ai vi que o cantoneiro assumia agora a posição de chefe, de lider....do puto. Agora tinha poder ( se fosse hoje...agora tinha um pau).

E tratava mal o puto. Humilhava-o, explorava-o....Enfim dava-lhe umas pauladas.

E muita coisa mudou na minha consciência, o que, por várias razões, não vem agora para o caso.


Há coisa de dias (horas?)  imaginei, depois de ter recordado a conversa com o meu amigo da psique, e de me ter lembrado do sacana do cantoneiro, a seguinte imagem surreal:

Estava o Miguel Ângelo a pintar uma parede. Utilizava as mais requintadas tintas e, mestre que era, pintava ...como só os mestres sabem fazer.

De repente....salta do talho em frente, o talhante, porco, pequeno, com um cutelo a vociferar contra o Miguel Ângelo que lhe estava a estragar a parede, que aquilo era uma porcaria....

O bom do Miguel Ângelo foge, como pode, sem olhar para trás.

Para uns, o Miguel Ângelo fugiu porque fora apanhado a fazer asneira.
Para outros o homem do talho era um critico de arte entendido que o desarmou, tendo o Miguel Ângelo fugido por vergonha.

Para mim.....era um simples homem do Pau....

com esses....não argumentem....fujam!



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