quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Lumentype


Da última vez que estive na casa do meu pai, vim de lá, para além de um belo repasto e de uma boa pinga, com umas caixas de papel fotográfico expirado.

Isto já era bom. Mas o melhor foi quando vi que se tratava do velho papel Brovira, conhecido por se autodenominar o único papel exclusivamente constituído por Brometo de Prata.

Para os mais distraídos, (ou para quem agora aqui chega), com as coisas que aqui vão sendo ditas e trocadas e descobertas, relembro que o papel fotográfico, nada mais é do que uma emulsão ( gelatinosa) que contem os chamados haletos de prata.

Estes podem ser três.

 - Cloreto de Prata, resultante da mistura de nitrato de prata com sal de cozinha. Mais lento e utilizado inicialmente por Talbot nos seus papeis salgados.

- Brometo de Prata, resultante da mistura de Brometo de Potássio com Nitrato de Prata, mais rápido, mas usado normalmente com o haleto seguinte ou com o anterior, ou ainda, em algumas fórmulas, com uma mistura de ambos.

 - Iodeto de Prata, que foi usado inicialmente por Daguerre, sendo resultante da mistura de Iodeto de Potássio com Nitrato de Prata. Neste caso Daguerre fumegava directamente o Iodo nas placas de prata polidas e depois revelava com mercurio... Mas Bacquerel deu-nos a informação que estas emulsões podem ser reveladas com uma luz vermelha forte....num fenómeno ainda não completamente explicado.


Todos estes sais são sensíveis à luz e escurecem quando em contacto com ela. Desta forma, usando ou não revelador, poderemos obter uma imagem permanente, se depois fizermos uma lavagem especial do papel fotográfico com uma solução a 10% de Tiossulfato de Sódio, visto os haletos serem insolúveis na água ( o que foi uma dor de cabeça durante muitos anos).


Nesta experiência que hoje fiz, coloquei em contacto com papel brometo de prata, umas folhas de árvores aqui da Ilha Terceira. Deixei ficar ao Sol meia hora e depois retirei-me para um local escuro, para que o papel não continuasse a sofrer escurecimento.

Não vos mostro, por agora o resultado...porque tenho o digitalizador ainda dentro de um caixote que está algures...na Ilha.  Podem ver os resultados em Lumentype II.

Procurem no Blog por Talbot, Lumentype, Print Out Paper. Fala tudo do mesmo. A possibilidade de se obter uma imagem sem revelador, à boa maneira antiga.

Na página de livros, encontrarão as fórmulas para fazer emulsões, bem como outros links sobre a história da fotografia....nem sempre muito cientifica.

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