sábado, 12 de dezembro de 2009

As Fases


Foto: Rui Mestre ou Cristina Horta?

Já me considerei imortal.

Não no sentido de viver para sempre, pois o corpo, vivendo no espaço, às regras deste não foge.

Mas achava-me, como que amparado, nos meus actos, por uma entidade superior, que  me impediria de morrer, de me perder.


Diferente dos anjos da guarda, mas parecida.

Poderia invocar essa entidade transcendente e continuaria sempre a ter as melhores notas da escola. E tinha.

Poderia invocar esse auxilio e tinha sempre a solução para os meus problemas.

Poderia colocar-me nas situações mais perigosas  sabendo sempre que era uma questão de tempo para chegar a casa e amanhecer.

E assim vivi a minha adolescência. Numa inconsciência que me permitiu ser feliz e livre.

Não me lembro de quando perdi essa aura da auto-imune-confiança.


Mas hoje tenho a consciência que tudo  não passava do meu alter-ego.

Hoje, contudo, sinto-me mortal na minha descrença.
Pesando os meus actos, sinto-os. E prendo-me.






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