quarta-feira, 16 de setembro de 2009

O 43

Fui a Lisboa.

Entro num salão enorme, com talvez, cem metros quadrados. Ao fundo um guichet. Ao lado do guichet uma máquina de senhas automática. Dentro do guichet um funcionário do qual só se vê a pequena cabeça. No salão, apenas eu.

Dirijo-me até ao balcão. Recuo.

Tiro uma despropositada senha. Escolho a opção. Marcações.

A senha diz, 43. Entrada às 11h16, hora estimada de atendimento 11h23. Esboço um sorriso.

O funcionário olha-me. Carrega num botão.

Tim. Surge, com espanto meu, o n.º 42.

Grita: 42

Digo: 43

...e estendo a senha, confirmando que estou sozinho no salão, em frente a um balcão ocupado por um pequeno funcionário.

-Mas você é o 43 - exclamando.

Pois.

Vamos aguardar um pouco - remata-me.

Olho para trás. Confirmo. Estou só num salão de cem metros quadrados em frente a um balcão ocupado por um pequeno funcionário.

Aguardo um minuto, olhando estupefacto para o pequeno funcionário, que finge teclar qualquer coisa importante no computador.

Se calhar já não vem -  disparo eu.

Talvez - diz-me ele.

Tim. 43.

Sou eu.

Eram 11h e 23m.
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