segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Tranca


Filme Asa 200 de uma tranca de uma casa Celta


Numa aldeia o sinal indicava que seguindo por ali chegaria a uma casa Celta.

Uma casa Celta...? Que diabo...

Era verdade. No meio da Aldeia uma casa, quase ruína, com telhado de colmo.

Uma velha sentada à porta.

Posso entrar? A casa é sua?

É sim, faça favor...arranjando o cabelo franqueou-me a porta. Faz favor.

Com a sua licença....entrei.

Lá dentro, uma visão miserável.

Umas escadas velhas e sebentas, em madeira.

No primeiro andar uma divisão tão digna como um simples curral.

Posso fotografar?

Pode sim...arranjando de novo o cabelo, sentido-se logo enganada quando reparou que a objectiva apontava para outro local.

Criei aqui os meus cinco filhos. Passo aqui o Inverno, é mais quentinho.

E não lhe arranjam o telhado?

Não senhor, um dia vieram aqui uns a mandado do Padre Fontes e puseram-me luz. Agora telhado não...Já ninguém trabalha o colmo.

Quer comer? ( perguntou-me ela).

Não, muito obrigado. Vamos agora almoçar.

Mas já vinha a vizinha com uma sandes de queijo. Pegue.

( lembrei-me de uma história que o MEC contou há alguns anos, quando a tirar o Doutoramento lhe surgiu uma senhora com umas batatas fritas embrulhadas num papel de jornal, oferecendo-se para matar a fome a si e à sua família, as quais ele aceitou e devorou com especial gratidão.)

Aceitei.

E fui.

Deixei-a à porta, tal como a encontrei.

Sentada a olhar para o telhado caído de colmo, que não a protege do frio e da chuva...


...mas que atrai turistas à aldeia.







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