domingo, 14 de junho de 2009

Josefa continua a ter medo

Josefa telefonou-me há pouco...

-Estou, é o Sr (....) ?

- Sou, faça favor.

- Preciso de falar consigo, estou disponível até às 20h00, depois entro de serviço. Não tem nada a ver com o trabalho.

Eu que chegava de Évora de mais uma reunião, cansado, mas sempre disponivel, remato...Tudo bem deixe-me só almoçar, daqui a meia hora estarei junto ao (...).

Lá apareci.

Do carro surgiram quatro pessoas, sendo uma delas a Josefa.

Pensei...mas que raio... vão-me bater.

- Vamos beber um café? - perguntei eu.

Sim, vamos até ao (...).

Lá fomos.

Um descafeinado, quatro cafezes ( como dizia o Vidente de Vila Real de Santo António) , duas águas com gás.

Conta-me...o que foi que fizeram? ( achei que a questão fosse um qualquer problema do grupo e não apenas de Josefa).

Foi isto e aquilo. Felizmente não foi criminoso, infelizmente não era pecaminoso.

O que Josefa me disse é que nos seus 24 anos já era uma aprendiz de vitima de violência doméstica.

Se bem que sem chapadas, mas com uma boa dose de ameaças, injurias e medos incutidos.

Josefa tinha medo.

E apesar de ter um novo companheiro, continuava ( não me o disse, mas sei que ela sabe que eu sei que ela sabe) a acreditar que se voltasse, mais uma vez para o Josefo, ficaria em Paz.

E Josefo também sabia que era isso que ela pensava.

O que Josefa não sabia, é que o agressor psicológico alimenta-se directamente do nosso medo, e que só representa perigo enquanto não lhe cortarmos o alimento. Não sabia e não quer acreditar.

Pedi-lhe que fizesse isto e aquilo. Que experimentasse. Que demonstrasse que não está sozinha, que cortasse a comunicação com Josefo.

Disse-lhe que mandaria um psicólogo ter com ela na segunda, para a ensinar a lidar com o medo.

Pareceu resultar. Agradeceu-me. Especialmente o apoio.

Continuámos a falar, pagou-me o café.

Levantei-me...

não não, deixem-se estar a beber uma cervejita que eu vou andando, a casa é perto e assim arejo.

Mas ao sair...reparo que o Josefino lhe ordenava: Não vais a casa enquanto isto durar, o teu telemovel fica comigo... Vamos ver se esse gajo...


Sabes Josefa... com 24 anos ainda vais dar muita cabeçada na tua vida. E não penses que és caso único.

Uma em cada três mulheres passam pelo mesmo.

E às vezes a mesma mulher várias vezes.
Enviar um comentário