terça-feira, 26 de maio de 2009

Lembrei-me de Luiz Pacheco

Fotografia Estenopeica de uma rua de Évora




Procurava um titulo para esta segunda fotografia de Évora, quando me lembrei de Luiz Pacheco.



Por uma estranha coicidência, nunca esquecerei a sua morte.




Era Sábado, por volta das 22h00, quando, à volta da lareira, falávamos dele.




Nesse preciso momento, sem que soubéssemos, estava já a caminho do Hospital...sem vida.



( se acham isto assustador, então peçam-me que vos conte um dia o que aconteceu comigo e com o Mestre Manuel Cabanas)



Luiz Pacheco, o autor de O LIBERTINO PASSEIA POR BRAGA, A IDOLÁTRICA, O SEU ESPLENDOR , também conhecido intimamente por Luiza, e cuja definição de Libertino passava por "dormir com mulheres ou homens, ou todos ao mesmo tempo", mas não só.




O homem que chegou à conclusão que os libertinos são odiados por todos os sistemas, apontando o exemplo de Sade, qua passou grande parte da sua vida preso.



Sempre senti uma vertigem pela extravagância. Nem que seja um mero exercicio de liberdade.



Por isso um tipo cujos valores morais são nulos ( não em um sentido pejorativo), que esmolava aquando da apresentação dos seus livros, torna-se necessariamente numa referência intelectual.



Lembro-me de uma entrevista de Luiz Pacheco, em que este, após mostrar ( mostrar não...caiu apenas da carteira ) o cartão do PCP, ameaçar Baptista-Bastos para um duelo, termina afirmando que já estava "mijado com as palavras do entrevistador, e logo hoje que não trazia cuecas"... e estava mesmo.



Hoje revi uma entrevista dele, publicada no site
TriploV , em que termina, aquando da entrada do funcionário do Lar onde viveu os últimos tempos, a informar que o almoço era empadão:



" Pacheco: “Este gajo irrita-me. Quando estou a dormir na cadeira ele grita: BOM DIA! Ele não diz bom dia, ele atira o bom dia como quem atira uma pedra. Nunca mais morre o cabrão, tem feitio de almocreve e foi um panascolas de m****...agora já nem cú tem..."





Ás vezes, quando percorremos sózinhos uma rua, lembramo-nos de pessoas como o Luiz Pacheco.












PS - Interessante. Sempre vi Luiz Pacheco como um boémio, um artista. Admirava a sua liberdade, a sua desgraça, retratada em a Comunidade.
Após ter feito esta postagem procurei saber mais acerca dele.
Descobri que estamos perante um dos maiores da nossa terra.
Um homem, que apesar das coisas do "arco da velha" por que passasou e se viu envolvido, não é ainda reconhecido pelo seu valor enquanto escritor, etc, etc.
Aqui ficam as minhas desculpas.
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