sábado, 18 de abril de 2009

O Carrocel

Foto: Pedro Horta


Há alguns anos atrás lembro-me de ter chegado lá a casa o primeiro televisor a cores...

Lembro-me de termos o único telefone da rua ( o outro era na mercearia)

Lembro-me de jogar ao peão, ao berlinde e ao mundo ( um jogo com um ferro afiado que hoje violaria todas as regras de segurança na brincadeira).

Lembro-me de manhã o nosso dois cavalos ter de ser posto a funcionar com uma manivela.

Lembro-me que quando alguém comprava um carro que não fosse uma dyane ou uma quatrel ( Renault 4l) toda a gente do bairro dizer: Deve estar cheio dele....se calhar não comem para ter aquele carrão.

Mais tarde lembro-me de receber um zx spectrum 128k +2 ( o que tinha o leitor de cassetes incorporado e que nós, com uma chave de fendas, afinávamos os graves).

Lembro-me de ter pensado que já não haveria mais nada para inventar....

Televisão, telefone, computador, carros, aviões.... de que mais se poderia lembrar o Homem?

Veio então o telemóvel....custava 300 contos cada um.
Veio a SIC e a TVI e a TV Cabo
Veio a Internet
O CD, o DVD
OS IPOD

Que mais poderá o Homem lembrar-se de inventar....?

Não sei que bombas, não sei que vacinas e cataplasmas, e robots, mas
decerto que algo que aprofundará ainda mais forma como lidamos com a informação.



Há uns anos lembro-me de com piada alguém contar que um apresentador ter dito, em pleno directo, qualquer coisa como : "Bom apetite...o franguinho está bom?", ao que um familiar meu, que estava a comer frango ficou a pensar que o homem tinha visto o que ele estava a comer.

Toda a gente se riu, porque a televisão, tal como aprendemos na escola, é um meio de comunicação unívoco.

Mas depois surgiram as chamadas em directo...
Depois os mails para as redacções que eram colocados em directo...

Hoje, acedi ao desafio do meu amigo João Espinho e aderi ao Twitter.
E percebi que de repente estou a falar com jornalistas. Que não só trocam em directo impressões comigo, como também ouvem o que lhes digo ( em teoria claro) para que possam desenvolver o seu trabalho.
Em directo pedem informações e somos nós que lhes damos, para que eles possam informar o mundo.
De repente, uma jornalista não só sabe se eu estou a comer frango, como também ( como sucedeu de facto) diz que está com fome e alguém lhe manda uma sandocha...tudo isto enquanto está em directo no noticiário.

De repente um jornalista pede uma fotografia de um acidente...e eu que estou perto, posso mandar-lhe.

Tudo isto é estranho. E tudo isto me levanta questões:

1.º Estará a informação mais democratizada, agora que qualquer um pode fornecer informações? Ou o problema continua a residir não nas fontes, mas nas orientações dos Órgãos de Comunicação?

2.º Assistiremos ao declínio da televisão ainda durante a nossa geração, tal como os nosso pais e avós assistiram à queda da rádio?

3.º Assistiremos à queda, inclusive dos órgãos de comunicação, tal como os conhecemos hoje, sendo substituídos por bases de dados livres, alimentadas pelos internautas, tal como o youtube faz para as imagens?

Uma coisa é certa...já passamos mais tempo em frente ao computador do que em frente à televisão...

E se comunicamos menos com a família, tal não é sinónimo de que o homem comunica menos ou está menos socializável.

Pelo contrário.

O homem procura comunicar com o mundo e procura saber o que o mundo está a fazer. E cada dia que passa consegue fazê-lo de melhor forma.

Antes comunicava com a avó, o avô, o pai e a mãe...e sabia as noticias de 6 em 6 horas nos telejornais.

Hoje comunica com milhares de pessoas e sabe e ajuda a formar as noticias.


E quando for velho ainda mais será....aguardo com ansiedade.
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