quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Fingir com tanto amor



Foto de Miguel Bettencourt, ao Ricardo Ávila, re-interpretada com a sua autorização.




Já andei por muito lado. 
...conduzindo nas planícies do Alentejo com 40 graus à sombra, sedento.
...fugindo nas ruas do país Basco, cantando de noite, embriagado,
...conduzido nas estradas que vão dar a Paris, iniciado.
...cruzando o oceano, esperando renascer.
...transpondo os portões de Struthof, assustado, com um regressso.
...escondendo-me, nas esquinas de ChinaTown Londrina, abismado.
...perdido nos corredores de um parlamento, en(o)joado.
...sozinho comigo mesmo, adormecido.


Já falei com muita gente.
...canalhas que vender(i)m Cristo.
...poderosos que (nos) vendem.
...anjos perdidos,
...amigos que, sem reparar, sempre estiveram
...mulheres, que se esqueceram de o ser,
...irmãos que o são.
...irmãos que o não são.


Mas nunca vi um mimo fingir com tanto amor.





Lilliput e Blefuscu


 Oh! fez ele, admirado. 

                  Assustaram-se os homenzinhos e saltaram de cima dele para o chão; tudo foi tão rápido que alguns deles, jogaram-se de qualquer maneira e até quebraram a perna. 

                  - Que gentinha estranha! dizia para si mesmo Guliver, enquanto, com grande esforço, rompia as cordas que lhe prendiam o braço esquerdo. 

Foi então que compreendeu o que estava acontecendo...


Gulliver, contacta dois povos, insulares, separados por um estreito canal. De um lado Lilliput e do outro Blefuscu.

Enquanto que os primeiros foram traiçoeiros os segundos foram honestos.

Se bem que Jonathan Swift tenha eventualmente querido simbolicamente falar da França e da Inglaterra, talvez esta história nos remeta para a nossa própria consciência.

Enquanto indivíduos somos ilhas, rodeados do outro, não-eu e deste separado pelo mar, que é espaço.fronteira.


Cabe-nos  a nós escolher qual o lado do canal que queremos habitar.






segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Sem titulo.

@Miguel Bettencourt, 2013






Nunca poderemos dizer a alguém para onde deve ir.

Mas podemos ensinar a caminhar.



quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Criança e Livro

@ Miguel Bettencourt


Esta é uma foto de Miguel Bettencourt, de uma criança a escolher um livro na Hora do Conto do Clube de Oficiais.

Para além de ser uma bela fotografia, lembrando (-me) alguém a segurar um pássaro, fiquei a ela preso por me ter feito parar por momentos.


Recordo, agora que a criança pôde e pode finalmente escolher um livro, todas as casualidades que levaram a que se juntassem, no mesmo espaço, no meio do Oceano, histórias, crianças, pais, contadores... e o Miguel a fotografar.

E sorrio já com saudade.

No mundo não há casualidades. Mas sim caminhos. Ousemos percorre-los.

Para que a criança possa fechar as asas do pássaro e levá-lo para casa.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Conta-me o que queres ser....



Todos os Sábados às 11h00 no Clube de Oficiais da Base Aérea n.º 4.

Para além da Hora do Conto teremos empréstimo domiciliário de livros da Biblioteca de Angra.

Entrada livre e obrigatória para quem quer crescer.

domingo, 8 de setembro de 2013

Nem sempre olhamos todos para o mesmo lado...


Vila Real de Santo António, 2009


Por vezes há quem se destaque da multidão. 
Ou pela aparência,
Ou pela sua atitude,
Ou porque recusa olhar e ver o que os outros querem.

E nem sempre nos apercebemos da sua importância.

Talvez porque estamos distraídos a olhar para outro lado....




quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Agenda Cultural do Clube de Oficiais da Base Aérea 4 - Divulgação










As iniciativas que procurem de forma sustentada apelar à conjugação de esforços individuais com vista a promover uma cultura acessivel a todos ...devem merecer pelo menos a nossa solidariedade...senão mesmo um permanente empenho.





segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Náufrago

Pedro Horta, 2013





Imaginei-me náufrago.

Com apenas um banco para melhor contemplar e uma placa para não me esquecer para onde devo voltar.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Até que enfim....

No Diário Insular de hoje, vem descrita de forma pormenorizada e cabal ( não acreditando obviamente em fraude), a existência de prova bastante da presença pre-histórica nas ilhas açorianas.

Esta temática tem sido abordada desde há muito e todas as tentativas para provar a presença humana pré-portuguesa, têm esbarrado ou na crendice de quem procura ou no pré-conceito de quem deveria reconhecer e apoiar.

Se é verdade que tal investigação tem sido realizada desde há muito, até hoje todos os indicios apresentados ou são fruto de imaginação fantástica ou então foram negligenciados.

Se é verdade que, nós povo, não temos capacidade de distinguir, exceto quando seja flagrante, a autenticidade ou valor probatório de eventuais sinais de tal presença, o certo é que as entidades habilitadas deveriam ter, há mais tempo, desenvolvido investigação nesta área.

Quantas vezes, no Continente, não se iniciaram escavações arqueologicas em locais que apresentavam não mais que um topónimo como cerrado, portela, muda ou castelo? Eu sei. Nada mais havia.

Quantas vezes não se estava nesses locais e vinha alguem dizer que as pedras tinham sido postas pelo avô, quando afinal se tratava de castros?

Lembro-me perfeitamente de uma casa celta que continua de pé lá para o Gerês ( entre Paradela do Rio e Montalegre) em que a sua proprietária pensa ter sido feita pelo pai do avô. E é uma pena aquilo

Mas "aqui" quando se via esta construção e o povo dizia que tinham sido pedras ajuntadas da lavoura....nada se fazia, com medo sequer de se estar a pensar fora dos ditãmes oficiais:

Todos os direitos reservados ao Diário Insular. 
Foi junto a estas estruturas que o povo afirmava ser fruto da limpeza de terrenos que foram descobertos os artefactos abaixo referidos, tendo canais no seu interior. Estranho paralelo (ponte?) entre o Egipto e os Maias.

Será que aqui, apenas porque durante muitos anos a investigação foi conduzida também por crentes nessa mistica atlantida, mal conduzidas e mal preparadas e até forjadas ( veja-se o caso do submarino Russo de Ponta Delgada e das experiências místicas dos seus ocupantes), pode levar a que qualquer investigador sério seja logo proscrito e rotulado de visionário e imcompetente?

Se calhar agora vamos rever as velhas crónicas que falavam de estátuas pré-portuguesas...
Se calhar vamos tirar o pó da placa descoberta nas quatro ribeiras...
Se calhar vamos em busca das moedas fenícias...
Se calhar vamos todos em força para a Grota do Medo...
Se calhar vamos repensar nas nossas crenças...

Se calhar a partir de hoje vamos ver os açores de forma diferente.

Ainda bem. 

Que venha agora quem está habilitado a descobrir mais e a perceber qual o motivo e origem da presença pré-histórica nos açores...e reconheça o trabalho dos que acreditaram e acreditam.

Se calhar hoje vamos perceber muito mais de nós. Insulares e Continentais.

E cada um pense o que quiser.

Fica aqui o artigo do Diário Insular.


Artefactos pré-portugueses
descobertos na ilha do Pico

 PRÉ-HISTÓRIA  Desenhos de artefactos encontrados numa possível cabana na Madalena do Pico (Arqueólogo Nuno Ribeiro)



Foram descobertos na ilha do Pico artefactos de pedra semelhantes aos das culturas aborígenes do norte de África, revelou a Associação Portuguesa de Investigação Arqueológica (APIA).

Num comunicado enviado às redações, a APIA adianta que os referidos artefactos foram descobertos na sequência de um trabalho de investigação histórico e arqueológico desenvolvido em parceria com a Câmara Municipal da Madalena.
"Foram descobertos na ilha do Pico vários artefactos líticos com paralelos em culturas aborígenes do Norte de África e por exemplo: "Guanches" nas Canárias", refere o comunicado.
A mesma fonte adianta que alguns destes materiais encontram-se associados a estruturas em pedra "piramidais escalonadas", que a população local designa habitualmente por "maroiços", que afirmam terem resultado da limpeza de terrenos para a agricultura.
"Muitos serviram esse propósito, mas existem porém outras estruturas piramidais com características arquitetónicas únicas", adianta a APIA, sublinhando que "algumas das estruturas inventariadas têm mais de 10 metros de altura", e possuem corredores e câmaras do tipo "tholos".

HOJE HÁ EXPLICAÇÕES

Para explicar com mais pormenor a importância dos artefactos agora descobertos, está marcada para hoje, 27 de agosto, pelas 21 horas, nos Paços do Concelho da Madalena, uma conferência de imprensa, uma exposição e o lançamento de um livro intitulado: "Estudo Histórico Arqueológico sobre as construções piramidais existentes no concelho da Madalena do Pico".

VESTÍGIOS PROLIFERAM

Por seu lado, arqueólogos internacionais que visitam os Açores têm considerado que locais como o Complexo Megalítico da Grota do medo têm que ser estudados, dado indiciarem presença humana pré-portuguesa nas ilhas.Eventuais vestígios de presenças humanas pré-portuguesas nos Açores proliferam por várias ilhas, mas nunca mereceram estudos científicos rigorosos.
Os primeiros casos foram referidos para a ilha do Corvo, incluindo moedas fenícias que terão, entretanto, desaparecido.
Na ilha Terceira há várias situações por estudar, sendo que a mais mediatizada tem a ver com o chamado Complexo Megalítico da Grota do Medo.
O poder político regional tem procurado negar a existência de vestígios pré-portugueses nos Açores, socorrendo-se de arqueólogos que emitem opiniões, mas sem desenvolveram escavações ou outros estudos nos locais indicados.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

E assim se vai colocando mais uma pedrinha...

Todos os direitos Diário Insular

Todos os direitos Diário Insular


O Miguel foi entrevistado pelo Diário Insular sobre o seu percurso fotográfico. E muito justamente.

Da mesma forma foi com elementar justiça que o Clube de Oficiais decidiu reconhecer o seu trabalho, lançando a oportunidade de o mesmo ser exposto, pela primeira vez, aos olhares do público terceirense.

Fico satisfeito por ter participado neste seu inicio que antevejo frutuoso. Não porque seja vaidoso. Mas sim porque nele participei, ainda que amiúde.

Se em boa verdade nunca saberemos o efeito que terá o facto de termos virado para a esquerda e não para a direita em determinado dia, o certo é que sabemos e deveremos ter como adquirido que se agirmos no mundo de forma a irmos colocando constantemente pequenas pedras no inacabado edificio do desenvolvimento humano... em algum momento da nossa vida iremos sentir que estamos realizados.

Se é o sonho que comanda a vida....ousemos sonhar.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Divulgação


Depois de um excelente concerto com Susana Coelho e João Pedro Soares, o Clube de Oficiais da Base Aérea n.º 4 apresenta a 2.ª Sessão do Caboverdianamente.




quarta-feira, 21 de agosto de 2013

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Exposição


No próximo dia 14 de Agosto, pelas 21h30, será inaugurada, no Salão do Clube de Oficiais da Base Aérea n.º 4, uma exposição de fotografia de Miguel Bettencourt. A entrada é livre e haverá prova de vinhos e queijos.

Este é o texto da divulgação, mas permitam-me dizer mais qualquer coisa.

Conheci o Miguel Bettencourt, nestas coisas do facebook e da internet. Eventualmente teremos tropeçado um no outro, quando procurava algo sobre fotografia nos Açores, ou então por intervenção de algum amigo já cá instalado.

Não sei ao certo. Nem interessa.

Sei contudo que reconheci ( se é que reconheço algo neste campo) o Miguel como um fotográfo muito próprio que imprimia em cada disparo uma história, uma sensação, uma concepção pessoal do espaço-ilha em que nos movemos. Comecei a tentar aprender com ele. que é o que devemos fazer quando reconhecemos no outro qualidades que não temos

Mais tarde encontrámo-nos ( só para não dizer o nome) onde eu tinha um workshop para dar, mas nem a porta me abriram. Deve ter sido por ter sido gratuito....que nestas coisas se exigirmos muito tratam-nos melhor....se for dado....facilita-se.

Mas enfim....

Apenas apareceu, de toda a ilha, uma alma interessada em aprender a fotografar com latas de sardinhas e café expresso....O Miguel. 

Lá fomos.

De todos esses encontros nasceu o convite/desafio mais que urgente e oportuno, para o Miguel lançar a primeira exposição dos seus trabalhos.

Foi assim que a convite do Clube de Oficiais, o Miguel re-pensou, re-viu, re-ligou os seus trabalhos e propos-nos um tema, uma viagem.



Não há coincidencias no Universo...pelo menos neste.

 
Será dia 14 de agosto, pelas 21h00. 





Miguel Bettencourt

Permitam-me que eu me apresente na primeira pessoa.

Miguel Bettencourt, marido, pai, informático e entusiasta da fotografia.
 
Nasci no dia 24 de Fevereiro de 1974, em Angra do Heroísmo, ilha Terceira. Vivo na Praia da Vitória.
 
Será possível seleccionar um conjunto de quinze fotografias com base na invisibilidade do fio condutor que as une, como se se tratasse de uma transição dada como inexistente? Uma passagem invisível? Uma fronteira?
 
A exposição fotográfica "Fronteira, Transição" tem como objectivo questionar, precisamente, a viabilidade dessa possibilidade.
 
Citando Henri Cartier-Bresson: “Fotografar é encontrar a estrutura do mundo, regozijar-se no puro prazer da forma, desvendar que em todo este caos existe ordem.”.
 
Cabe a mim, enquanto autor das fotografias, apresentar-vos este conjunto de quadros à luz desta questão. 

Cabe a cada um de vós, se assim o entenderem, alcançar uma resposta que possibilite a apreciação do conjunto no seu todo.
 
Obrigado, José Maria Oliveira, por teres aceitado este desafio, contribuindo com a tua interpretação para a
exposição "Fronteira, Transição".
 
Obrigado, Pedro Horta, pelo convite.
 
Praia da Vitória, 5 de Agosto de 2013
Miguel