Processo Van Dyke, sobre fotografia de desconhecido.
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
sábado, 15 de outubro de 2011
...ora à volta de uma mesa.
E não é que um grupo de amigos se decidiu juntar para construir um Sábado diferente?
Eram mais de 20.
Ora à volta de um cianótipo... ora de roda de uma mesa de almoço partilhado...ora transformando uma caixa de sapatos numa máquina fotográfica.
Em breve teremos as fotos....
Para repetir.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Steve Irvine
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
A Justiça
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| Fotografia Pinhole, f152, 2segs. |
A primeira lição que recebi no curso de Direito foi sobre as várias acepções da Justiça.
Só depois aprendi a interpretar normas.
Como seria diferente o mundo se nos preocupássemos primeiro em sermos Justos para com o nosso semelhante.
Poucas normas haveria que interpretar. E menos ainda para aplicar.
domingo, 28 de agosto de 2011
Mértola
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Por vezes queima
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| Pinhole f152 em filme Shangai Gp3 |
Estava calor. Demasiado calor. Em Mértola está sempre calor. Mais do que em Beja. E em Beja já faz calor. Mais do que em Grândola. Talvez o mesmo que em Évora. Mas muito mais do que em Beja. A primeira vez que vim a Beja estava calor. Muito calor. E já era pela tardinha. Mas quando fui a Mértola pela primeira vez fazia mais calor do que quando fui a Beja pela primeira vez. Em Grândola sentia calor mas nunca tanto como em Beja. Mas Mértola está sempre mais calor. Uma vez em Évora também fez muito calor. Muito mais do que alguma vez senti. Excepto quando vou a Mértola. Excepto quando não estou ao Sol.
Eu gosto do calor. E do sol.
Se há coisa que gosto é de sentir o Sol.
Em Beja faz Sol, tal como em Évora, tal como em Grândola, tal como em Lisboa, tal como em Mértola, tal como no Porto, tal como em Santarém, tal como em Tomar, tal como em Castro-Marim.
E decerto, apesar de nunca lá ter estado, sinto que faz Sol em Ayamonte, em Huelva, em Barcelona, em Madrid, em Londres, em Paris, em Rabat, em Pequim.
Se alguns não o vêm é porque teimam em dele se esconder...ou então porque outros teimam em o tapar.
Mas a culpa não é do Sol. Porque esse é alheio à vontade dos Homens.
Ás vezes a sua luz queima. Outras orienta...
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
O que nos contam as coisas simples
| Garrafa miniatura de Porto - Setembro de 1954 |
Tenho em mim uma nostalgia por tempos que não vivi. Repetidamente afirmo que sendo-me permitida uma viagem no tempo, escolheria, sem hesitação, o passado.
Não sei porquê. Não tenho sequer especial carinho por qualquer reacção.
No entanto, à falta de melhor, ora escuto as conversas daqueles que viram o passado ora ouço a história que determinado objecto transporta.
Hoje foi um desses dias.
Durante uma hora ouvi as aventuras de velhas personagens de Vila Real de Santo António....o Calanca, o Zé Aranha, o Guerreiro da Farmácia, os Ós, entre tantos outros.
Era no tempo em que "todos se conheciam na Vila". Quando "chegava alguém a perguntar por determinada morada, rematava-se logo perguntando quem é que se procurava....era mais fácil. Todos nos conheciamos e sabiamos onde moravam".
Sendo gratificante, sente-se que o horizonte vai fugindo com o tempo....E com ele a memória colectiva.
Adiante...
A garrafa que está nesta publicação também revelou uma pequena história.
Perguntei ao meu avô onde a comprara. Disse-me que foi quando ganhou o 2.º prémio da lotaria em 1954...10 contos de réis!
Estava em viseu no Banco Ultramarino e comemorou com um almoço com dois colegas, num restaurante que naquele dia tinha inaugurado. No primeiro andar, apenas duas mesas ocupadas. A dele e à sua frente o Presidente do Conselho, Dr. Oliveira Salazar.
Contou então que Salazar perguntou ao empregado quem eram...ao que tendo o mesmo respondido, este olhou para o meu avô e o cumprimentou.
E assim foi. E não tendo eu nenhum carinho por essa figura, não posso deixar, de olhar de forma diferente para aquela pequena garrafa que eu ignorei durante 35 anos.
O que esconderá cada objecto, cada símbolo, cada fotografia?
Às vezes, não sendo revelado em tempo, é absorvido pelo horizonte da memória viva....e perder-se-á para sempre...restando ao que o contempla apenas a imaginação.
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Cliché Verre
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| Cliché Verre sobre filme revelado e fixado. Foi usada a ponta de um clip. |
A fotografia, não tendo matado a pintura ( como alguém anunciou quando a viu pela primeira vez), obrigou-a a seguir um novo rumo.
Muitos dos que impulsionaram a invenção da fotografia, eram desenhadores modestos ( na arte sim e talvez não nas posses) que pretendiam que a câmara escura desenhasse por eles.
Foi assim e por isso que Niepce e Talbot ficaram conhecidos.
No entanto, no inicio, aqueles que bem desenhavam, viram nas soluções sensiveis ao sol, uma forma de recriar a sua arte.
Pegavam num vidro, pintado ou tingido pelo fumo de uma lâmpada de petróleo, e riscando, desenhavam.
Depois colocavam o vidro sobre papel fotográfico e obtinham o chamado Cliché Verre.
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| Cliché Verre |
Lembra-me o processo das gravuras em madeira do Mestre Manuel Cabanas.
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O Chalet de Marim - Olhão - Manuel Cabanas |
Eu não sei desenhar, mas não pude deixar de experimentar.
Risquei um negativo já revelado com a ponta de um clip e digitalizei o resultado.
Só sei fazer riscos e triângulos. É pena.
Não sei representar o mundo com melhor arte.
sábado, 6 de agosto de 2011
Vila Real de Santo António visto por um buraco de agulha II
Quando era pequeno, ficava ali sentado. No meio da praça.
Os mais velhos sentam-se nos bancos, à volta dela.
Cidade do Iluminismo - Vila Real de Santo António
Vila Real de Santo António visto por um buraco de agulha.
Eram 15h00. Um calor, um sufoco.
Levo a minha Meopta adaptada para pinhole ( adaptada é um termo simpático para descrever sucintamente o que lhe aconteceu, entre marteladas e colagens).
Nas ruas turistas almoçam. Eu passo ao largo. Procuro olhar para os preços para perceber quanto é que aqueles dois estão a pagar por uma dose de sardinhas e duas taças de vinho branco. Mas as diopetrias não deixam, e o meu olhar deve estar a incomodar.
Procuro um lugar para fixar a minha máquina.
Não me preocupo com os tempos que terei de utilizar para fotografar. É simples. Um rolo de 100 Asa, numa pinhole f152, sob sol....bastará um segundo.
Contudo pego na minha maquina normal e finjo calcular tempos e ângulos....treta...não percebo nada de ângulos, estou apenas a disfarçar o desconforto.
Tiro 10 fotografias.
Volto para casa.
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Peguei num quadrado feito de filme fotográfico a preto e branco.
Por cima coloquei uma folha verde.
Os dois, assim unidos, foram aquecidos ao sol.
Como que por magia, algo que tinha uma essência monocromática, adquiriu esta forma.
O que está abaixo é como aquilo que está acima, e o que está acima é semelhante a aquilo que está abaixo, para realizar os prodígios da coisa única.
Assim como todas as coisas foram produzidas pela mediação de um ser, assim também todas as coisas foram produzidas a partir deste ser por adaptação.
O seu pai é o sol, sua mãe é a lua.
quinta-feira, 28 de julho de 2011
A velha carpintaria
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Café derramado sobre negativo estenopeico
Em férias baixo o metabilismo ao minimo possivel.
Nem sempre o consigo, nem sempre me deixam, nem sempre quero.
Ontem lá me enfiei no laboratório para revelar um rolo Shangai GP3 (formato 120), que coloquei numa Meopta Flexaret convertida em pinhole ( f152).
Para tal, e apesar de ainda ter um litro de XTOL, elaborei meio litro de Caffenol C low contrast. ( ou seja Caffenol com Vitamina C e Brometo de Potássio).
Fórmula:
Água - 500ml
Carbonato de Sódio - 27 gr
Brometo de Potássio - 0.6 gr
Ácido Ascórbico - 8gr
Café - 20gr
Revelei por 15 minutos, agitação inicial de 30 segundos, seguida de 3 vezes cada dois minutos.
Temperatura: 24 Cº !
Deixei o negativo a secar e em breve ( quando o metabolismo voltar ao normal) deixarei aqui os resultados.
Como nota final:
O Brometo neste caso seria dispensável, pois a agitação foi constante e o tempo baixo, para além de a sensibilidade do filme ser baixa, não havendo consequentemente perigo de ocorrer um véu pronunciado.
O Brometo pode ser substituido por Cloreto de Sódio - 3gr.
O Carbonato de Sódio pode ser substituido por Detergente em Pó da Roupa ou outro elemento alcalinizante.
A vitamina C pode ser omitida, mas nesse caso sugere-se, grosso modo, que se aumente em 1/3 a quantidade de café e que o tempo de revelação seja aumentado para o dobro.
Com caffenol nunca usar Vinagre como interruptor ( vinagre+carbonato de sódio = vulcão), basta uma lavagem de água.
Em resumo: Apenas com café e Omo e água ter-se-ia chegado a resultados semelhantes.
Como não tenho as fotografias neste pc deixo o link para a minha página no facebook onde se encontram.
Nem sempre o consigo, nem sempre me deixam, nem sempre quero.
Ontem lá me enfiei no laboratório para revelar um rolo Shangai GP3 (formato 120), que coloquei numa Meopta Flexaret convertida em pinhole ( f152).
Para tal, e apesar de ainda ter um litro de XTOL, elaborei meio litro de Caffenol C low contrast. ( ou seja Caffenol com Vitamina C e Brometo de Potássio).
Fórmula:
Água - 500ml
Carbonato de Sódio - 27 gr
Brometo de Potássio - 0.6 gr
Ácido Ascórbico - 8gr
Café - 20gr
Revelei por 15 minutos, agitação inicial de 30 segundos, seguida de 3 vezes cada dois minutos.
Temperatura: 24 Cº !
Deixei o negativo a secar e em breve ( quando o metabolismo voltar ao normal) deixarei aqui os resultados.
Como nota final:
O Brometo neste caso seria dispensável, pois a agitação foi constante e o tempo baixo, para além de a sensibilidade do filme ser baixa, não havendo consequentemente perigo de ocorrer um véu pronunciado.
O Brometo pode ser substituido por Cloreto de Sódio - 3gr.
O Carbonato de Sódio pode ser substituido por Detergente em Pó da Roupa ou outro elemento alcalinizante.
A vitamina C pode ser omitida, mas nesse caso sugere-se, grosso modo, que se aumente em 1/3 a quantidade de café e que o tempo de revelação seja aumentado para o dobro.
Com caffenol nunca usar Vinagre como interruptor ( vinagre+carbonato de sódio = vulcão), basta uma lavagem de água.
Em resumo: Apenas com café e Omo e água ter-se-ia chegado a resultados semelhantes.
Como não tenho as fotografias neste pc deixo o link para a minha página no facebook onde se encontram.
domingo, 17 de julho de 2011
Monchique
Lomo Lubitel 166B
Fillme Neopan Acros 100
Revelação em Xtol
Ampliação em papel Multigrade Ilford ( ampliador Agfa de cabeça colorida, usando 50M)
Revelador Caffenol C ( 40 gr de café, 50 gr de Carbonato de Sódio, 8gr de Vitamina C, 500 ml de Água)
Gosto mais do caminho do que da chegada.
domingo, 26 de junho de 2011
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Há coisa de um ano comprei uma velha máquina de plástico que nos anos 60 tinha tido uma aparição efémera como oferta da marca Orion.
Já vos tinha contado algures neste Blog que dentro dela vinha um pequeno rolo 127, por revelar, o qual, após ter sido sujeito à acção de Xtol, viu reduzidos os seus sais de prata a prata metálica.
Por vezes penso nisto.
Penso nas imagens que me surgiram no laboratório, imagino as histórias destas pessoas, imagino aquela tarde de praia e tento perceber o que terá ocorrido para que este rolo nunca tenha sido revelado.
Outras vezes penso na magia das coisas. Como é que raios de luz ficam adormecidos num rolo durante 50 anos à espera apenas da acção de um elemento activo para que se revelem aos nossos olhos, e assim passarem a fazer parte do mundo real?
O que é real?
Não sei. Nem nunca saberei.
Voltei apenas a este tema, porque, deitado na toalha de praia, julgo ter reconhecido aquele pontão.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Parque da Cidade
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Fotograma Colorido
Fotograma Lumentype, por escurecimento directo. Não fixado.
Repare-se que os sais de prata, antes de serem sujeitos à acção do Fixador, retêm a cor inversa da luz recebida. Neste caso uma folha verde imprime no papel não colorido um avermelhado.
Este fenómeno não era estranho a Hershel, sendo conhecidas as suas impressões do espectro visivel em comum papel salgado (nitrato de prata em solução de cloreto de sódio). No entanto, tal papel teria que ser conservado no escuro, pois a cor perdia-se com a fixação.
Só mais tarde, com o uso de fécula de batata colorida se conseguiu simular a cor no suporte de forma permanente...mas isso é outra história.
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Obidos Pinholando
Praça
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Árvore
Cianótipo obtido sobre um vulgar papel comprado numa loja de artigos baratos.
Fórmula de 25% de Citrato Férrico Amoniacal e 10% de Ferricianeto de Potássio.
20 minutos de exposição sob luz de 500w.
Lavado em água com vinagre.
Oxidado em solução de 3% de Água Oxigenada.
domingo, 10 de abril de 2011
Revelador de Eucalipto
Pedra com Símbolo Solar. Revelado em Chá de Eucalipto com Vitamina C (Caliptol C)
Depois de destilar, sem separar cabeça, espirito e rabo, obtive uma água, baça, com forte odor a mentol. No alambique repousava agora, quente, uma infusão de Eucalipto.
A 300ml desta juntei 4 colheres de carbonato de sódio.
Sujeitei um filme de 16mm, não revelado, mas exposto fortemente à luz, à sua acção.
Revelou em 15 minutos. Foi fixado para confirmar a acção reveladora.
Mergulhei então filme idêntico no destilado, para perceber se o agente redutor ficara no alambique ou se tinha acompanhado o vapor de água.
Na mesma quantidade de solução e carbonato de sódio, reparei que, ao fim de uma hora, o filme não se encontrava revelado.
Assim, o redutor encontra-se na infusão de Eucalipto e não sofre arrasto do vapor.
Ao fim de 4 dias, aqueci 300ml de infusão, a qual já apresentava bolor, e juntei 3 colheres de café de carbonato de sódio.
Ampliei uma fotografia, durante 50seg, lente em fstop 4.5, a meio metro de distância do papel.
Ao fim de 10 minutos obtive uma imagem, ténue, sem brancos, nem negros, mas com quase ausência de grão.
Voltei a repetir a experiência, mas adicionei 4 gramas de Ácido Ascórbico. A imagem revelou em 5 minutos, tendo registado aumento do contraste. (a desta postagem)
Parece que é de concluir que este revelador age de forma extremamente pouco contrastada, necessitando de ser acompanhado ou de forte alcalinizante e porventura ácido ascórbico.
Irei experimentar ainda usar infusão fresca, repetindo o processo, a fim de perceber se agente redutor enfraqueceu em 4 dias,
Irei igualmente experimentar a acção desta infusão com Hidroquinona e com Brometo de Potássio, a fim de tentar aumentar o contraste e ver se se comporta de forma identica a revelador Metol-Hidroquinona.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Nunca gostei de Circos
Fotografia sobre filme Shangai Gp3, revelada em caffenol C, durante 70 minutos a 20º. Lomo Lubitel 166B
Nunca gostei de circos.
Nem de palhaçadas.
Nem de animais em jaulas.
Sou assim, não há nada fazer.
terça-feira, 5 de abril de 2011
Fotografar com uma lata de sardinhas
Publico e divulgo um artigo da Mara Martins, Jornalista da nossa praça, que um dia me perguntou o que era fotografar com uma lata de sardinhas.
"Têm um gosto especial por câmaras fotográficas artesanais que, muitas vezes, eles próprios constroem, resultando em máquinas de toda a espécie. Se um dia vir uma pessoa com uma lata de sardinhas apontada a um monumento, não se assuste. É uma pinhole.
Pode ser conhecida por dois nomes: fotografia estenopeica – do grego stenopo, pequeno furo ou, mais vulgarmente, pinhole – do inglês pin-hole, “buraco de alfinete”. A sua origem, tal como de toda a fotografia, vem da câmara escura, invenção no campo da óptica, que consiste na ideia de que se tivermos uma caixa com completa ausência de luz no seu interior e lhe fizermos um pequeno furo, será possível ter a realidade exterior projectada no interior da caixa.
A fotografia estenopeica é assim a que se aproxima mais deste conceito, pois só acrescenta a colocação de um papel ou filme fotográfico no seu interior. “Na minha opinião deve ser utilizada como um dos recursos para se entender a fotografia, o seu nascimento e percurso”, explica José Reis, designer gráfico. “Ao ler os princípios da câmara escura reparei que esta seria a forma mais natural de obter imagens”, refere Pedro Horta, oficial da Força Aérea.
Sendo esta a base de todas as outras formas de fotografia, é também a mais simples. “Li um artigo sobre o tema e nesse mesmo dia procurei planos de construção, furei uma lata de feijões e tirei uma fotografia”, conta Pedro Horta. José Reis tinha cerca de quinze anos quando foi a uma exposição de fotografia pinhole de Regina Alvarez. Quando chegou a casa construiu uma igual à que ela apresentava: “Fui à despensa e encontrei uma lata de chá. Esvaziei-a à socapa da minha mãe e construí a minha primeira câmara”, revela.
O material é fácil de arranjar e barato, na maioria das vezes “lixo” reutilizado e passível de ser reciclado. Assim nascem câmaras fotográficas do que antes eram latas de sardinhas ou de rebuçados, caixas de fósforos e de sapatos. Mas também podem ser mais sofisticadas, construídas com madeira, contraplacado ou plástico, ou mesmo máquinas convencionais adaptadas. O importante é que o tamanho do furo seja proporcional à distância focal (espaço entre furo e lado da caixa onde imagem é projectada), para se conseguir obter uma fotografia nítida e focada. No limite, existem tabelas de cálculo para um resultado preciso.
Assim, o problema não parece estar tanto em construir as câmaras, mas sim em sair com elas à rua. “Sou uma pessoa recatada e torna-se difícil sair com uma lata de sardinhas e começar a fotografar. Em Évora fui chamado de louco em plena Praça do Giraldo”, conta Pedro Horta. José Reis teve uma experiência semelhante: “Lembro-me da vergonha que passei quando fui tirar uma fotografia junto à ponte D. Luís, no Porto. A cara de espanto e de desconfiança das pessoas ao verem-me apontar uma caixa de madeira em cima de um tripé”.
O limite é a imaginação
António Leal, fotógrafo e professor no Instituto Português de Fotografia, destaca na fotografia estenopeica a possibilidade de se decidir o formato das imagens, “sem a sujeição à «ditadura do formato»”, explica. “Ela abre as portas a toda a exposição das nossas opções e decisões. É mais nossa”. É caracterizada também pela sua simplicidade, imprevisibilidade dos resultados e potencialidades estéticas. Sem um visor por onde se “espreitar” e com a possibilidade de se fazer distorções e efeitos, o resultado é sempre uma surpresa. “É a magia da fotografia estenopeica”, revela Pedro Horta.
O único limite da fotografia pinhole parece ser mesmo o uso da imaginação. Esta está presente na construção das próprias câmaras, pois podem ir da mais insignificante caixa até mesmo a um quarto ou carrinha. “Construí uma câmara escura utilizando o meu quarto”, conta José Reis. Basta ter uns plásticos pretos opacos e calafetar muito bem portas e janelas, para que o quarto fique absolutamente sem luz. “No meio da janela fiz um buraquinho no plástico com o diâmetro de uma moeda de 10 ou 20 cêntimos. Depois a imagem da rua forma-se na parede oposta à janela”.
A possibilidade de escolha dos temas fotografados também é infinita. Como nas câmaras convencionais, com uma pinhole tudo pode ser fotografado. Apenas é preciso ter paciência para o tempo que demoram as exposições, que pode ir de poucos segundos até mais de uma hora, e adequá-lo à quantidade de luz do local e ao tamanho da câmara. Mas também se pode recorrer à imaginação na criação de efeitos. Um papel curvado origina distorções e a criação de mais do que um furo na câmara dá lugar a imagens sobrepostas e duplicadas, por exemplo.
O fundamental é praticar. Fazer muitas experiências, com materiais, tempos de exposição, enquadramentos, efeitos estéticos. Este tipo de arte é, sobretudo, experimental, e para melhores resultados apela mesmo à anotação desses elementos técnicos e comparação dos mesmos e das fotografias obtidas. “As opções de trabalho que proporciona são tão variadas que destacaria o que, para mim, resume o processo fotográfico em si: aprender”, refere António Leal.
Sensibilizar os mais novos para o tema da fotografia
Para os praticantes de fotografia pinhole é importante divulgar a actividade junto dos mais novos. “Uma das suas potencialidades é sensibilizar as camadas jovens para o tema da fotografia”, diz José Reis. No Instituto Português de Fotografia surgiu uma actividade extra-escolar ligada à fotografia estenopeica: o clube “Buraco de Agulha”, por iniciativa de António Leal. “Realizamos, já ao longo de vários anos, encontros, oficinas, exposições”, explica. Pedro Horta procura promover acções de dinamização cultural e social junto de escolas e associações. “Percebi que esta técnica era utilizada instrumentalmente como forma de intervenção social”, conta.
Por outro lado, também é comum a utilização das potencialidades da Internet para a divulgação deste tipo de arte fotográfica. António Leal, dada sua ligação profissional com a fotografia, mantém dois sites dedicados à pinhole, e outros que tratam a fotografia de modo mais geral. José Reis utiliza o seu blogue essencialmente para expor o seu trabalho. Já o de Pedro Horta “é um blogue com meia dúzia de visitas diárias”, confessa. “Faço-o essencialmente para mim. Contar aos outros o que fazemos, torna-nos mais exigentes para connosco próprios”.
“Apenas com aquilo que somos, com aquilo que temos, podemos ser tudo aquilo que quisermos.”, Pedro Horta
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Artigo por :
Mara Gonçalves
Atelier de Jornalismo
Ciências da Comunicação - Universidade Nova de Lisboa
sábado, 2 de abril de 2011
OBIDOS PINHOLANDO
O meu caríssimo amigo António Campos Leal, principal dinamizador destas coisas, convidou-me para participar, enviando 3 trabalhos.
Surpreso de inicio, porque o que faço é simples, decidi contudo aceitar.
Aqui fica o convite para este evento dedicado à fotografia pinhole.
Canto da Praça
Fotografia Pinhole ( f152), sobre Filme Shangai GP3, Revelação em Caffenol C, 70 minutos apenas com agitação inicial.
segunda-feira, 28 de março de 2011
Aos que ousam...
Cianotipo da primeira fotografia do mundo tirada por Niépce. Fórmula tradicional de Hershel ( Solução 25% de Citrato Férrico Amoniacal e Solução 10 % de Ferricianeto de Potássio), 30 minutos sob lâmpada de 500 watts.
A Níepce, que pediu ajuda ao Sol para que este desenhasse aquilo que via, mas era incapaz de reproduzir.
A Hershel, que percebeu que tudo no mundo reage e se modifica na exacta proporção da quantidade de energia que tem capacidade de receber.
A todos os que sabem unir a razão à espiritualidade.
A todos os que ousam pensar livremente.
sexta-feira, 25 de março de 2011
Praça da Republica em Beja
Praça de Republica em Beja, Fotografia Pinhole / f152
Filme Shangai Gp3
Revelação em Café e Vitamina C
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Escrita de Luz...
Partindo de uma mesa, caótica, repleta de materiais desordenados, sem utilidade aparente...
...iniciámos o nosso caminho pela História da Fotografia. Começámos na Caverna, espreitando o Sol e os seus efeitos miraculosos sobre o mundo que nos rodeia...
...reparámos que no mundo há substâncias que reagem à luz mais rapidamente do que outras. Lemos dos velhos livros as fórmulas dos Alquimistas...e em penumbra trabalhámos os materiais para obter seculares imagens...
...tendo compreendido os princípios do material sensível, descobrimos o segredo da Câmara Escura e iniciámos a sua construção....
...um trabalho colectivo....
com diversos materiais...
de forma minuciosa...
e atenta...
...e assim, munidos das nossas câmaras, carregadas com material sensível, voltámos para o Sol procurando capturar nas nossas caixas apenas a luz exacta que levada para o Laboratório possa ser Revelada e Fixada, completando o ciclo de fotografia...
...escolhemos ...apontámos...calculámos....abrimos...contámos.....fechámos....
...e já está.
Foi assim em Mértola, durante dois dias, no mês de Fevereiro.
Um pequeno Workshop, (com a participação de 16 entusiastas), que dinamizei, a convite da Câmara Municipal de Mértola, inserido no programa ART NON STOP.
Foi um conceito diferente do que tenho até hoje.
Em vez de focar apenas nos processos alternativos ou na fotografia pinhole, procurou-se, lançando mão desses conceitos, abarcar toda a história de fotografia...desde o homem que observou que a sua pele mudava de tonalidade com o sol..até às fotografia obtidas pelas mais sofisticadas câmaras digitais.
Explicar que a fotografia nasce do encontro de duas vontades....
Por um lado a vontade que o Homem tem de agarrar o Belo, reproduzi-lo, produzi-lo, guardá-lo, mostrá-lo...por outro a vontade de compreender o mundo que o rodeia e os seus fenómenos, estudando-os, criando máquinas e substâncias que o sirvam e o complementem....
Explicar que a fotografia nasce do encontro de dois objectos:
-A câmara escura e o material sensível.
Conceitos milenares, mas incapazes, até recentemente, de se servirem mutuamente...
E assim foi:
...iniciámos o nosso caminho pela História da Fotografia. Começámos na Caverna, espreitando o Sol e os seus efeitos miraculosos sobre o mundo que nos rodeia...
...reparámos que no mundo há substâncias que reagem à luz mais rapidamente do que outras. Lemos dos velhos livros as fórmulas dos Alquimistas...e em penumbra trabalhámos os materiais para obter seculares imagens...
...tendo compreendido os princípios do material sensível, descobrimos o segredo da Câmara Escura e iniciámos a sua construção....
...um trabalho colectivo....
com diversos materiais...
de forma minuciosa...
e atenta...
...e assim, munidos das nossas câmaras, carregadas com material sensível, voltámos para o Sol procurando capturar nas nossas caixas apenas a luz exacta que levada para o Laboratório possa ser Revelada e Fixada, completando o ciclo de fotografia...
...escolhemos ...apontámos...calculámos....abrimos...contámos.....fechámos....
...e já está.
Foi assim em Mértola, durante dois dias, no mês de Fevereiro.
Um pequeno Workshop, (com a participação de 16 entusiastas), que dinamizei, a convite da Câmara Municipal de Mértola, inserido no programa ART NON STOP.
Foi um conceito diferente do que tenho até hoje.
Em vez de focar apenas nos processos alternativos ou na fotografia pinhole, procurou-se, lançando mão desses conceitos, abarcar toda a história de fotografia...desde o homem que observou que a sua pele mudava de tonalidade com o sol..até às fotografia obtidas pelas mais sofisticadas câmaras digitais.
Explicar que a fotografia nasce do encontro de duas vontades....
Por um lado a vontade que o Homem tem de agarrar o Belo, reproduzi-lo, produzi-lo, guardá-lo, mostrá-lo...por outro a vontade de compreender o mundo que o rodeia e os seus fenómenos, estudando-os, criando máquinas e substâncias que o sirvam e o complementem....
Explicar que a fotografia nasce do encontro de dois objectos:
-A câmara escura e o material sensível.
Conceitos milenares, mas incapazes, até recentemente, de se servirem mutuamente...
E assim foi:
Escrita de Luz...um percurso pela Arte Fotográfica.
Nota: Todas as imagens contidas nesta postagem são propriedade da Câmara Municipal de Mértola e dos seus autores que gentilmente as cederam para a presente publicação. Para reprodução das mesmas contactar a CMM.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
A outra Árvore de que ninguém fala....
Quando o Grande Arquitecto fez o Universo terá, segundo algumas Tradições, plantado no Centro do Paraíso Terrestre duas árvores.
A História de uma delas é conhecida por todos, como a qual em que Eva, manietada pela Serpente, roubou uma maça para tentar Adão. E deu no que deu...um mundo de Homens e Mulheres donos do seu próprio Destino...
A outra exige mais conhecimentos Bíblicos para nos apercebermos da sua existência. Encontra-se ainda guardada por Querubins com suas espadas flamejantes, que nos impedem de nos tornarmos imortais....
No entanto...no terreno fértil do Paraíso ( sim porque os paraísos decerto que terão a terra mais fértil e fofinha do Universo e é pena não ter sido espalhada por todos os continentes), nasceu, lá ao cantinho...mesmo ao pé da cerca, onde os Querubins não conseguem espreitar....uma pequena árvore de fruto.
E os frutos, nascendo frondosos naquela terra, têm uma ramada, por onde, qualquer um de nós, com um pequeno banco, consegue apanha-los.
Basta querer.
Basta querer.
E que Árvore é essa? Dá Riquezas Infinitas? Beleza Perfeita ? Juventude Eterna?
Não....é apenas um pequeno Limoeiro. Igual a tantos outros.
O frutos esses, são conhecidos apenas por tornarem todos os Homens e Mulheres que os partilham irmãos e verdadeiros amigos uns dos outros, para que assim, unidos fraternalmente, possam usar toda a sua Sabedoria e Imortalidade em prol da Humanidade.
Sabem uma coisa?
Hoje de manhã ofereceram-me um saco cheio deles.....Estavam fresquinhos, acabados de apanhar.
E com eles fiz um chá com mel.
Se por acaso passarem pelo Paraíso, não se esqueçam que essa é a Árvore mais importante e que o Grande Arquitecto, de propósito, deixou crescer uma ramada para que qualquer criança a possa alcançar.
E acredito que um dia, quando todos tivermos provado desses limões... os Querubins sairão da árvore que hoje guardam.
E deixará de haver cercas no Paraíso e seremos como os Deuses.
E deixará de haver cercas no Paraíso e seremos como os Deuses.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
O Caminho
Todo o caminho termina onde queremos. E aí dizemos: Consegui chegar ao fim do caminho.
Tal como cantava Vitorino..."Não me pergunto onde vou. Os caminhos nunca acabam", também eu, Aprendiz de Marginal do Sec. XXI, recuso(-me) dar o caminho por terminado.
E assim, percorro ruas, ora estreitas ora Avenidas, sempre com a incerteza do sentido do próximo passo.
E isso é incómodo e incomoda-me.
Seria bem mais fácil parar e gritar do alto de qualquer banco improvisado de Cátedra:
- Aha...cheguei.
E assim seria reconhecido como pertencendo ao grupo daqueles que chegou a algum lado porque sempre soube para onde queria ir.
Ninguém afirma que desistiram a meio...
Não...chegaram!...e rápido...
Eu não. Prefiro o desconforto do caminho.
E não me importo que me apontem o dedo dizendo...lá vai o louco, que não sabe para onde vai.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Eu poderia ter...
Para que a História se repita, apenas basta que os Homens Bons baixem os braços.
Nunca mais! Gritemos nunca mais!
E tenhamos a coragem de nunca esquecer o que hoje afirmamos.
E tenhamos a coragem de continuar a lutar para que um dia possamos descansar.
E tenhamos a coragem de sonhar!
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Ainda cá ando
Tenho andado por outros lados e pouco tenho ligado a este pequeno espaço onde tudo começou.
Hoje perco-me à noite pelos livros do inicio do século passado ( e outros mais velhos ainda) procurando extrair aqui e ali processos fotográficos antigos.
Hoje rio-me quando penso que tudo começou com uma simples lata de feijão que furei para fotografar o meu escritório.
Hoje descubro que posso fotografar com um ovo, com sal, gelatina, formol, sulfato de cobre, chocolate, café...
Hoje relembro-me que no mundo tudo se resume a pequenos principios universais e transversais a todo o mundo sensivel.
Hoje último os pormenores da próxima acção que vou dinamizar sobre a fotografia.
Por isso não vou ter tempo para aqui estar, mais tempo. Voltarei em breve....
Entretanto esboço um sorriso ao ler um livro de 1919 que afirma que só o tempo mostrará as possibilidades da fotografia.
Se eles soubessem que já estava tudo descoberto....
Tudo se resume a Luz, Tempo e Sensibilidade. Tudo.
É isso que vou dizer...apareçam.
domingo, 19 de dezembro de 2010
dos outros
A perfeição que alguns conseguem imprimir às suas obras.
Fruto do tempo, do saber, do querer.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
A casa
Foto revelada em Caffenol, rolo com prazo expirado.
Lembro-me desta casa e de quem lá morava. Ficava ao lado do Mesquita, velho barbeiro de Grândola.
Ao lado do Mesquita ficava uma tasca. Ao lado da tasca uma mercearia.
Só o Mesquita continua a cortar o cabelo.
Revelar com café
Hoje vou explicar como é que se pode revelar um rolo fotográfico com:
2 pastilhas de vitamina C
3 cápsulas usadas de café
3 colheres de café de detergente Omo.
325 ml de Água.
1. Colocamos na máquina fotográfica o rolo e baixamos a sensibilidade um stop ( neste caso um rolo de 100 Asa foi exposto como 50 Asa)
2. Se não tiveres máquina constrói uma pinhole ( procura neste blog ou no google).
3. Prepara as coisas num local em que não entre luz alguma! A única luz que brilhará será aquela que ficou registada nos sais de prata (uma casa de banho interior é o perfeito).
3. Preparar a abertura do rolo em total ESCURIDÃO a fim de o colocar dentro do contentor. Podes procurar na internet pela forma correcta como esta operação deve ser feita, bem como adquirir um a preços baixos. Repara que se utilizares uma máquina pinhole e em vez de um rolo revelares apenas uma tira de filme podes utilizar uma caixa de plástico preta, como, por exemplo, os contentores dos próprios rolos fotográficos.
4. Quando o rolo estiver dentro do contentor, começamos a preparar o revelador. O revelador é uma solução alcalina (por isso o uso de sabão ou carbonato de sódio ou até hidróxido de sódio), em que um redutor (café, vitamina c, metol, hidroquinona, urina!, vinho) vai oxidar os sais de prata expostos do negativo.
5. Abrimos 3 cápsulas de café e colocamos dentro de um recipiente. Juntamos 200 ml de água e misturamos.
6. Colocamos duas pastilhas de vitamina C (1000mg) (para acelerar o processo de revelação) em 50ml de água.
7. Juntamos 4 colheres de sabão omo ao café e misturamos. Juntamos igualmente a vitamina C e água até perfazer 325 ml. (11 Oz)
8. Colocamos a solução (a 20 graus centígrados) dentro do contentor e agitamos 15 segundos cada minuto durante 20 minutos. Repare-se que o café não é solúvel pelo que deve ser agitado energicamente. Existem fórmulas com café fresco solúvel que apenas exige uma agitação de 3 viragens ligeiras por cada minuto. Mas aqui pretendi reciclar tudo, ou quase tudo.
9. No fim tiramos o café e guardamos numa garrafa de 33 cl (conheço umas!). Para mais tarde.
10. Colocamos água dentro do contentor ( nunca vinagre neste processo como interruptor porque vai reagir com o carbonato de sódio abrindo buracos no filme...ainda que micro) ( quem nunca fez um vulcão com carbonato de sódio e vinagre?)
11. Quando a água estiver limpa colocamos o Fixador ( comprado ou uma solução de 10% de Tiossulfato de Sódio ou ainda uma solução de 30% de sal de cozinha se pretendermos digitalizar de imediato os negativos)
12. No fim lavamos à maneira da Ilford...3 4 10 15 20 ( número de agitações para cada mudança de água).
13. Colocamos a secar uma noite.
14. Depois digitalizamos o negativo para segurança, especialmente se for usada a solução de 30% de sal.
15. Com o café que guardamos vamos revelar uma fotografia deste negativo em papel. Utilizamos um ampliador, expomos 3 stops acima do exigido e colocamos o papel dentro do nosso café.
E assim temos uma fotografia revelada desde o inicio até ao fim em café, sabão e vitamina C.
Esta actividade acompanhada da elaboração de máquinas fotográficas feitas de cartão torna-se ainda mais interessante.
Depois de revelar esta fotografia ainda aproveitei o mesmo café para revelar uma outra proveninente de um negativo "revelado normalmente"
2 pastilhas de vitamina C
3 cápsulas usadas de café
3 colheres de café de detergente Omo.
325 ml de Água.
1. Colocamos na máquina fotográfica o rolo e baixamos a sensibilidade um stop ( neste caso um rolo de 100 Asa foi exposto como 50 Asa)
2. Se não tiveres máquina constrói uma pinhole ( procura neste blog ou no google).
3. Prepara as coisas num local em que não entre luz alguma! A única luz que brilhará será aquela que ficou registada nos sais de prata (uma casa de banho interior é o perfeito).
3. Preparar a abertura do rolo em total ESCURIDÃO a fim de o colocar dentro do contentor. Podes procurar na internet pela forma correcta como esta operação deve ser feita, bem como adquirir um a preços baixos. Repara que se utilizares uma máquina pinhole e em vez de um rolo revelares apenas uma tira de filme podes utilizar uma caixa de plástico preta, como, por exemplo, os contentores dos próprios rolos fotográficos.
4. Quando o rolo estiver dentro do contentor, começamos a preparar o revelador. O revelador é uma solução alcalina (por isso o uso de sabão ou carbonato de sódio ou até hidróxido de sódio), em que um redutor (café, vitamina c, metol, hidroquinona, urina!, vinho) vai oxidar os sais de prata expostos do negativo.
5. Abrimos 3 cápsulas de café e colocamos dentro de um recipiente. Juntamos 200 ml de água e misturamos.
6. Colocamos duas pastilhas de vitamina C (1000mg) (para acelerar o processo de revelação) em 50ml de água.
7. Juntamos 4 colheres de sabão omo ao café e misturamos. Juntamos igualmente a vitamina C e água até perfazer 325 ml. (11 Oz)
8. Colocamos a solução (a 20 graus centígrados) dentro do contentor e agitamos 15 segundos cada minuto durante 20 minutos. Repare-se que o café não é solúvel pelo que deve ser agitado energicamente. Existem fórmulas com café fresco solúvel que apenas exige uma agitação de 3 viragens ligeiras por cada minuto. Mas aqui pretendi reciclar tudo, ou quase tudo.
9. No fim tiramos o café e guardamos numa garrafa de 33 cl (conheço umas!). Para mais tarde.
10. Colocamos água dentro do contentor ( nunca vinagre neste processo como interruptor porque vai reagir com o carbonato de sódio abrindo buracos no filme...ainda que micro) ( quem nunca fez um vulcão com carbonato de sódio e vinagre?)
11. Quando a água estiver limpa colocamos o Fixador ( comprado ou uma solução de 10% de Tiossulfato de Sódio ou ainda uma solução de 30% de sal de cozinha se pretendermos digitalizar de imediato os negativos)
12. No fim lavamos à maneira da Ilford...3 4 10 15 20 ( número de agitações para cada mudança de água).
13. Colocamos a secar uma noite.
14. Depois digitalizamos o negativo para segurança, especialmente se for usada a solução de 30% de sal.
15. Com o café que guardamos vamos revelar uma fotografia deste negativo em papel. Utilizamos um ampliador, expomos 3 stops acima do exigido e colocamos o papel dentro do nosso café.
E assim temos uma fotografia revelada desde o inicio até ao fim em café, sabão e vitamina C.
Esta actividade acompanhada da elaboração de máquinas fotográficas feitas de cartão torna-se ainda mais interessante.
Depois de revelar esta fotografia ainda aproveitei o mesmo café para revelar uma outra proveninente de um negativo "revelado normalmente"
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