domingo, 20 de dezembro de 2009

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

numa mesa de café....


Lomo Lubitel 166b, filme Tmax 400 revelado em Caffenol.


numa mesa de café,

sento-me.
abro um jornal,
peço um café.
leio o jornal,
bebo o café..

Não tem noticias o jornal
está frio o café.

fecho-o
deixo-o
levanto-me.

zangado,
de uma mesa de café.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Évora 2009


Foto: Pedro Horta

Filme Tmax 400, revelado em Caffenol ( 325ml de água, 6 colheres de café e 3 de carbonato de sódio, durante 20 minutos)
Lomo Lubitel 166B


Eram 14h00...de um mês qualquer de 2009.
Ia apanhar o transporte para Beja.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Por momentos pensei estar no tempo da outra senhora.


Foto por Pedro Horta
Lomo Lubitel, Filme Tmax 400 fora do prazo, Revelado em Café com Carbonato de Sódio


Entrei no Bar do Teatro Pax-Julia. Disseram-me que havia uma feira do livro.
Não é que tivesse a intenção de comprar alguma coisa...mas esperava que o espectáculo do Conservatório começasse e estava a apetecer-me um café.

Nos folhetos reparo que no dia 15 vai ser lançado um livro acerca do Luiz Pacheco.

Procuro-o mas não encontro. Volto a dar mais uma volta.
Peço um café, e tento encontrar um exemplar, nas mesas que me rodeiam, em posse dalgum mais atento leitor.

Nada. Bebo o café.

Vejo, pelo canto do olho, um tipo*.Parece-me ter a ver com a organização da coisa.

Desculpe...não encontro o livro do Luiz Pacheco....já cá está? Ou só na Terça?

Já..mas...não lhe posso vender....tenho alí três...só três.

E leva-me para dentro de uma arrecadação. De onde retira um dos exemplares....

Escondido, folhei-o. E tiro esta fotografia.

Vejo o preço. Precisava de 300 amigos de vintes.... como diria o Pacheco. Mas vale a pena.

Pelo menos ir.

É às 18h00 no Teatro Pax Julia em Beja. Dia 15.


( Era o amigo Paulo Barriga da Vemos Ouvimos e Lemos. Boa Gente!)

domingo, 13 de dezembro de 2009

Perguntaste-me o que estava a fazer.


Foto: Alexandra Rosa
Revelada em Café e Carbonato de Sódio


Parei por momentos. Olhei para a imagem de um menino Jesus, que, qual bandeira, ondulava numa varanda.

Apontei a minha velha máquina, calculei tempos e oiço-te:

O que fazes aqui?

Olha para ali. Não achas estranho?

Não me respondes, tiras-me a máquina e apontas para um local qualquer...disparas e vais-te embora a rir.

Ainda te oiço:  publica-a com um poema de Pessoa, que te vou mandar. 

Foi o que fiz.



Como um grande borrão de fogo sujo

O sol posto demora-se nas nuvens que ficam.

Vem um silvo vago de longe na tarde muito calma.

Deve ser dum comboio longínquo.

Neste momento vem-me uma vaga saudade

E um vago desejo plácido

Que aparece e desaparece.





Também às vezes, à flor dos ribeiros,

Formam-se bolhas na água

Que nascem e se desmancham

E não têm sentido nenhum

Salvo serem bolhas de água

Que nascem e se desmancham.




Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XXXVII"

sábado, 12 de dezembro de 2009

A minha curiosidade


As Fases


Foto: Rui Mestre ou Cristina Horta?

Já me considerei imortal.

Não no sentido de viver para sempre, pois o corpo, vivendo no espaço, às regras deste não foge.

Mas achava-me, como que amparado, nos meus actos, por uma entidade superior, que  me impediria de morrer, de me perder.


Diferente dos anjos da guarda, mas parecida.

Poderia invocar essa entidade transcendente e continuaria sempre a ter as melhores notas da escola. E tinha.

Poderia invocar esse auxilio e tinha sempre a solução para os meus problemas.

Poderia colocar-me nas situações mais perigosas  sabendo sempre que era uma questão de tempo para chegar a casa e amanhecer.

E assim vivi a minha adolescência. Numa inconsciência que me permitiu ser feliz e livre.

Não me lembro de quando perdi essa aura da auto-imune-confiança.


Mas hoje tenho a consciência que tudo  não passava do meu alter-ego.

Hoje, contudo, sinto-me mortal na minha descrença.
Pesando os meus actos, sinto-os. E prendo-me.






quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

A primeira fotografia revelada em Café.





Máquina de Caixa Supreme De Luxe, sob filme Tmax 100 fora do prazo.
Revelada em Caffenol


Há uns meses, o João, ofereceu-me dois rolos a preto-e-branco, fora do prazo.

Pega - disse-me ele - para as tuas experiências.

Agradeci, bebemos um café e prometi que tal espólio seria usado em algo especial.

Comprei então uma velha máquina, de caixa, dos inicios do seculo passado, sem Abertura e Tempo de Obturação conhecidos.

Coloquei o velho rolo oferecido e mostrei-lhe. Tirou uma fotografia.

Decidi que seria revelada num processo novo que estava a experimentar, o uso de café como redutor de um revelador.

Fui para a Cave.

Em meio litro de água, juntei 16 colheres de café e 6 de Carbonato de Sódio.

Ao fim de 40 minutos surgia a primeira fotografia revelada por Café processada em solo portugês ( salvo melhor prova...).

Uma fotografia do João. Esta que vos mostro.

PS- Estranhamente quem me ensinou a fórmula, chama-se Paulo Jose Silva Ferraz, partilhando o sobrenome do João.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Não mais que um.


Camera Supreme de Luxe, possivelmente f11 @ 1/60
Revelada em Café e Carbonato de Sódio.


Cada vez mais me convenço que tudo isto anda tudo ligado.
Todos os seres, todas a coisas, partilham um mesmo espaço, o mesmo designio, fazendo parte de um todo.


O sal, o café, o vinagre, o bicarbonato de sódio, o ácido ascórbico, que no corpo humano causam processos quimicos, imprimindo caminhos...também o fazem nos minerais, nos corpos ditos inertes.


Faço passar um fio de luz, medido no tempo e quantidade, e uma emulsão, qual olho, regista, secretamente, a imagem captada.
Aplico Café na emulsão de prata, e ela revela, como que por magia, a sua imagem latente.
Adiciono então ácido ascórbico e carbonato de sódio, procurando acelarar o processo.
Com vinagre interrompo o processo, antagonizando.
Por fim, com sal, retiro à emulsão a capacidade de registar novas imagens, conservando, aquela primeira para sempre.


Haja um dia alguém  que demonstre, com a facilidade com que se explica a uma criança que 1+1=2, que todos somos apenas um.





quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Os caminhos


Fotografia Estenopeica, sobre filme colorido, f210 @ 2 segs


Gosto de caminhar. Pelo prazer que tal me dá.
Meter-me adentro das serras, com boa companhia, com boa conversa, com uma mochila cheia de petiscos e águas e sacos para guardar ervas e plantas que encontro.

Gosto.  E não consigo explicar esta necessidade. De quando em vez, quando as folgas permitem, lá me aventuro com os amigos e cúmplices do costume.


No entanto, de há uns meses para trás que sinto como que uma vertigem por tudo o que diga respeito ao Caminho de Santiago.

Aventurar-me-ia já hoje, se tal fosse possível,  para uma viagem de 30 dias com boa companhia, com boa conversa, com uma mochila cheia de petiscos e águas e sacos para guardar ervas e plantas que encontrasse pelo caminho.

Sinto. E nem sequer sou Católico. Nem Cristão. Nem nada.

Mas sinto a necessidade de o percorrer.
Não sei se pelo percurso.
Não sei se pelo destino.



Não sei. Simplesmente não sei.

Os caminhos e as vontades têm destas coisas.