quarta-feira, 29 de julho de 2009

O caminho

Foto: Pedro Horta, com o Nokia


Qualquer caminho exige esforço, apresenta perigos.

Mas tem que ser feito.

No meu bastão, de caminheiro, coloquei a seguinte inscrição: VITRIOL.


Lembra-me que a verdadeira demanda consiste em nos conhecermos.

A minha nova máquina



Com uma simples caixa velha de sapatos, esquecida na sapateira da avó...

Com um pouco de fita cola...

Com uma agulhinha fininha...

Com um bocadinho de papel de alumínio...


Construí uma caixinha mágica que tira fotografias sem necessidade de reveladores, banhos de paragem e fixadores.

Basta papel fotográfico velho, que pode até já ter apanhado luz ( como foi o caso ).




Aqui fica






( Fotografia Solar, Lumentype, Pinhole )
( ver o mesmo plano fotografado com um contentor de rolo ...aqui)
( repare-se que aqui não existe distorção, ao contrário do contentor que é cilíndrico)

terça-feira, 28 de julho de 2009

de volta

Fomapan 400, obturado a 3200, revelado em xtol 1:1 por 32 minutos a 24º


Estou a acabar as férias.

Amanhã parto pelas 6 da manhã para um passeio na Serra de Grândola.

Voltarei à tarde.

Hoje à noite beberei um copo.

Consumatum est.

Fotografia e Luz

Fomapan 400, obturado como se fosse Iso 3200, revelado em Xtol 1:1 durante 32minutos a 24º

Esta fotografia foi tirada com uma técnica chamada de "puxar o filme".

Imagine-se o leitor deste Blog, a meio da noite com um negativo com sensibilidade 200 ou até mesmo 400.

Seria possível alterar a sensibilidade para o dobro, ( mais um stop )aumentando um pouco o grão, mas possibilitando a realização de fotografias em condições adversas.

Eu exagerei. Aumentei 3 stops.

As imagens surgem assim: Contrastadas, cheias de grão, minimalistas.

Mesmo como eu gosto.





segunda-feira, 27 de julho de 2009

Fotografia Solar

Fotografia Pinhole Solar, Agfa Rapitone p1-p4, 5 dias de exposição


Antes de partir de férias coloco um pequeno contentor de rolo fotográfico na janela do prédio.

"Experiência fotográfica, por favor não retirar". Acrescento o meu nome e o contacto.



A azul o rasto do sol.
De tão intensa a sua luz que revela os prédios, as ruas e os carros, directamente nos sais de prata.


Hoje retirei o contentor. E sem necessidade de revelação, inverto a imagem obtida no scanner.


É por isso que quando vou à Loja do Sr. Espinho peço, de vez em quando, uns contentores de rolos.


domingo, 26 de julho de 2009

O Forno Comunitário de Tourém

Fotografia de Pedro Horta de pormenor do Forno Comunitário de Tourem


Tourém fica praticamente dentro de Espanha.


Ainda lá existe um velho edifício, que foi em tempos o Forno Comunitário de Tourém.


Fui fotografa-lo e apareceram duas velhas.


Fiquei à conversa com elas, ouvindo-as.










Fotografia de Pedro Horta de pormenor do Forno Comunitário de Tourem, ainda se empilha lenha para um forno apagado.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Diálogos impossiveis

Batiam as nove e meia.

Chego, invariavelmente, em cima da hora.

O átrio estava cheio.

Olho. Mas com as minhas 4 dioptrias não reconheço ninguém. Pelo menos ninguém que procurasse.

Pára o Al...

- Que fazes aí?

- Estou à espera que comece a apresentação dos livros de Mia Couto e do Agualusa...

- Eu vou para Sines, ver uma Judia a cantar.

- Tu?

- Sim a gaja é boa!

- Só assim é que vais...

Fiquei e ele foi.

Eu à espera de uma apresentação feita por africanos brancos, ele, traindo o seu anti-semitismo, ia ver uma Judia.

Regresso ao átrio.

Vejo a minha mãe.

Beijo.

Chega o Presidente e a primeira dama.

Cumprimenta-me com abraços e grande algazarra. Retribuo, com sinceridade.

Entramos. Casa cheia.

À minha frente um casal que no verão vira trio.

À minha direita a fufa do meu prédio

Começa apresentação.

Bebo um moscatel, ajuda a ouvir estas coisas culturais.

De repente uma referência ao Mestre Malangatana que estava na sala.

Este levanta-se e começa a tentar cantar o Grândola Vila Morena.

Não consegue. Insiste. Não consegue. Insiste. Risos. Palmas. Consegue. Canta-se. Palmas. Senta-se.

Diz a primeira dama...será que ele quer água, parece estar a sentir-se mal...

- oh minha senhora, não mate o homem....

Continua apresentação.

Mia Couto conta que há pouco tempo uma livreira lhe perguntou, a meio da noite, se ele queria ir conhecer Gil Vicente à sua livraria.

Conta que aceitou. não sei bem porquê. Mas desconfio.

Ao chegar, a Livreira apresenta-lhe um gato...que se chamava Gil Vicente, o qual lhe morde de imediato. Este atónito vai-se embora.

Procuro de imediato o segundo moscatel.

Não vou a tempo.

Já se contava a história do cavalo marinho que também deu à Luz....

Aguardo.

Começam os autógrafos.

Não tenho dinheiro para comprar os livros. E também não os ia ler.

Mas já que ali estou meto-me na fila dos autógrafos. A falar com as pessoas.

Já no fim, alguém da vereação fala de dedicatória no peito....

Olho para o meu amigo e digo....

Vou andando. Isto aqui está visto.

Antes de sair vejo o Malangatana com uma garrafa de água, fechada, na mão, sem saber bem o que lhe fazer. Afinal alguém sempre estava a tentar matá-lo envenenado.

Guarda-a no bolso e senta-se.

Um puto pede para tirar uma fotografia com ele. Aceita e ri-se.

Ainda hesitei...o meu telemóvel tem câmara...

Naaa....

Vou-me deitar, que já foi demais.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

A Árvore


Fotografia Estenopeica


Poderá a flor imaginar que consegue sobreviver sem as raízes?


segunda-feira, 20 de julho de 2009

Uma casa de canto em Beja

Fomapan 400, revelado em Xtol 1:1 , 8m ( obturado a 200 iso)


Hoje não me apetece escrever nada.

Vou ver o Mia Couto em Grândola.

Vou à praia.

Vou...

E isso basta-me.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Janela


Fomapan 400, obturado a 200, Revelado em Xtol 1:1 (8m)


Olhando por minhas janelas com grades
O dia está tão cinza , frio, gelado


Totalmente sem cor

Já refletem a minha prisão
Sou prisioneira pela minha própria vida


(...)


extracto de poema encontrado ao acaso na internet, da autoria de "Borboletinha", aliás Bruna Marchiori


A concordata


"
Há uma mentalidade serôdia, com laivos de iluminismo e de anticlericalismo, que está por detrás de questões como o atraso na regulamentação da Concordata, ou a desconfiança com que são olhadas as instituições de solidariedade social, as escolas católicas ou a acção social católica.

Rebelo de Sousa atribui algumas destas atitudes a uma obsolescência de instituições como a Maçonaria, que na opinião do professor universitário retrocedeu em relação ao que era há duas décadas."


Muitas coisas e muitos motivos impedem-me de comentar.


...mas...

Bem...também não resisto a colocar os 4 primeiros artigos da Lei de Separação da Igreja e do Estado de 1911.

Lei da Separação da Igreja do Estado de 20 de Abril de 1911


O Governo Provisório da República faz saber que em nome da República se decretou, para valer como lei, o seguinte:

Capítulo I
Da liberdade de consciência e de cultos

Artigo 1º


A República reconhece e garante a plena liberdade de consciência a todos os cidadãos portugueses e ainda aos estrangeiros que habitarem o território português.

Artigo 2º

A partir da publicação do presente decreto, com força de lei, a religião católica apostólica romana deixa de ser a religião do Estado e todas as igrejas ou confissões religiosas são igualmente autorizadas, como legítimas agremiações particulares, desde que não ofendam a moral pública nem os princípios do direito político português.

Artigo 3º

Dentro do território da República ninguém pode ser perseguido por motivos de religião, nem perguntado por autoridade alguma acerca da religião que professa.

Artigo 4º

A República não reconhece, não sustenta, nem subsidia culto algum; e por isso, a partir do dia 1 de Julho próximo futuro, serão suprimidas nos orçamentos do estado, dos corpos administrativos locais e de quaisquer estabelecimentos públicos todas as despesas relativas ao exercício dos cultos.



Malditos pedreiros-livres, só mesmo eles para se lembrarem de uma porra destas!



Prémio Lemniscata


Teve este pequeno Blog a honra de receber o prémio Lemniscata.

"O selo deste prémio foi criado a pensar nos blogs que demonstram talento, seja nas artes, nas letras, nas ciências, na poesia ou em qualquer outra área e que, com isso, enriquecem a blogosfera e a vida dos seus leitores."

Reza o prémio, nas suas regras que ao contemplado caberá efectuar duas tarefas de Hércules:

1. Atribui-lo a 7 Blogs:

Évora Oculta
Blog do Zé Luis Peixoto
Pinhole Lab
Liberdade Igualdade e Fraternidade
Almocreve das Petas
Almanaque Republicano
Bibliomanias


2. Responder à pergunta : " O que significa para si ser um Homo Sapiens?".

Deixo para o fim das férias a conclusão deste trabalho.

Agradeço ao João Espinho, o politico, o fotógrafo, o amigo, por se ter lembrado de distinguir este pequeno espaço.

Ao Blog Lemniscata por ter instituido o prémio.

Aos 10 leitores diários e militantes deste blog, pela persistência em acreditarem num projecto de qualquer coisa...




domingo, 12 de julho de 2009

Luz e Sombra , verdade e ilusão



Pai, tira a fotografia a este Pato.

Assim o fiz.




Deixo, assim e a propósito o excerto do diálogo da Caverna, descrito por Platão na sua Republica:

É um dialogo acerca da eterna busca da Verdade...Sempre actual.


(fonte wikipédia)

Sócrates – Agora imagina a maneira como segue o estado da nossa natureza relativamente à instrução e à ignorância. Imagina homens numa morada subterrânea, em forma de caverna, com uma entrada aberta à luz; esses homens estão aí desde a infância, de pernas e pescoços acorrentados, de modo que não podem mexer-se nem ver senão o que está diante deles, pois as correntes os impedem de voltar a cabeça; a luz chega-lhes de uma fogueira acesa numa colina que se ergue por detrás deles; entre o fogo e os prisioneiros passa uma estrada ascendente. Imagina que ao longo dessa estrada está construído um pequeno muro, semelhante às divisórias que os apresentadores de títeres armam diante de si e por cima das quais exibem as suas maravilhas.

Glauco – Estou vendo.

Sócrates – Imagina agora, ao longo desse pequeno muro, homens que transportam objectos de toda espécie, que os transpõem: estatuetas de homens e animais, de pedra, madeira e toda espécie de matéria; naturalmente, entre esses transportadores, uns falam e outros seguem em silêncio.

Glauco - Um quadro estranho e estranhos prisioneiros.

Sócrates - Assemelham-se a nós. E, para começar, achas que, numa tal condição, eles tenham alguma vez visto, de si mesmos e de seus companheiros, mais do que as sombras projetadas pelo fogo na parede da caverna que lhes fica defronte?

Glauco - Como, se são obrigados a ficar de cabeça imóvel durante toda a vida?

Sócrates - E com as coisas que desfilam? Não se passa o mesmo?

Glauco - Sem dúvida.

Sócrates - Portanto, se pudessem se comunicar uns com os outros, não achas que tomariam por objetos reais as sombras que veriam?

Glauco - É bem possível.

Sócrates - E se a parede do fundo da prisão provocasse eco sempre que um dos transportadores falasse, não julgariam ouvir a sombra que passasse diante deles?

Glauco - Sim, por Zeus!

Sócrates - Dessa forma, tais homens não atribuirão realidade senão às sombras dos objectos fabricados?

Glauco - Assim terá de ser.

Sócrates - Considera agora o que lhes acontecerá, naturalmente, se forem libertados das suas cadeias e curados da sua ignorância. Que se liberte um desses prisioneiros, que seja ele obrigado a endireitar-se imediatamente, a voltar o pescoço, a caminhar, a erguer os olhos para a luz: ao fazer todos estes movimentos sofrerá, e o deslumbramento impedi-lo-á de distinguir os objetos de que antes via as sombras. Que achas que responderá se alguém lhe vier dizer que não viu até então senão fantasmas, mas que agora, mais perto da realidade e voltado para objetos mais reais, vê com mais justeza? Se, enfim, mostrando-lhe cada uma das coisas que passam, o obrigar, à força de perguntas, a dizer o que é? Não achas que ficará embaraçado e que as sombras que via outrora lhe parecerão mais verdadeiras do que os objectos que lhe mostram agora?

Glauco - Muito mais verdadeiras.

Sócrates - E se o forçarem a fixar a luz, os seus olhos não ficarão magoados? Não desviará ele a vista para voltar às coisas que pode fitar e não acreditará que estas são realmente mais distintas do que as que se lhe mostram?

Glauco - Com toda a certeza.

Sócrates - E se o arrancarem à força da sua caverna, o obrigarem a subir a encosta rude e escarpada e não o largarem antes de o terem arrastado até a luz do Sol, não sofrerá vivamente e não se queixará de tais violências? E, quando tiver chegado à luz, poderá, com os olhos ofuscados pelo seu brilho, distinguir uma só das coisas que ora denominamos verdadeiras?

Glauco - Não o conseguirá, pelo menos de início.

Sócrates - Terá, creio eu, necessidade de se habituar a ver os objectos da região superior. Começará por distinguir mais facilmente as sombras; em seguida, as imagens dos homens e dos outros objectos que se refletem nas águas; por último, os próprios objectos. Depois disso, poderá, enfrentando a claridade dos astros e da Lua, contemplar mais facilmente, durante a noite, os corpos celestes e o próprio céu do que, durante o dia, o Sol e sua luz.

Glauco - Sem dúvida.

Sócrates - Por fim, suponho eu, será o sol, e não as suas imagens refletidas nas águas ou em qualquer outra coisa, mas o próprio Sol, no seu verdadeiro lugar, que poderá ver e contemplar tal qual é.

Glauco - Necessariamente.

Sócrates - Depois disso, poderá concluir, a respeito do Sol, que é ele que faz as estações e os anos, que governa tudo no mundo visível e que, de certa maneira, é a causa de tudo o que ele via com os seus companheiros, na caverna.

Glauco - É evidente que chegará a essa conclusão.

Sócrates - Ora, lembrando-se de sua primeira morada, da sabedoria que aí se professa e daqueles que foram seus companheiros de cativeiro, não achas que se alegrará com a mudança e lamentará os que lá ficaram?

Glauco - Sim, com certeza, Sócrates.

Sócrates - E se então distribuíssem honras e louvores, se tivessem recompensas para aquele que se apercebesse, com o olhar mais vivo, da passagem das sombras, que melhor se recordasse das que costumavam chegar em primeiro ou em último lugar, ou virem juntas, e que por isso era o mais hábil em adivinhar a sua aparição, e que provocasse a inveja daqueles que, entre os prisioneiros, são venerados e poderosos? Ou então, como o herói de Homero, não preferirá mil vezes ser um simples lavrador, e sofrer tudo no mundo, a voltar às antigas ilusões e viver como vivia?

Glauco - Sou de tua opinião. Preferirá sofrer tudo a ter de viver dessa maneira.

Sócrates - Imagina ainda que esse homem volta à caverna e vai sentar-se no seu antigo lugar: Não ficará com os olhos cegos pelas trevas ao se afastar bruscamente da luz do Sol?

Glauco - Por certo que sim.

Sócrates - E se tiver de entrar de novo em competição com os prisioneiros que não se libertaram de suas correntes, para julgar essas sombras, estando ainda sua vista confusa e antes que seus olhos se tenham recomposto, pois habituar-se à escuridão exigirá um tempo bastante longo, não fará que os outros se riam à sua custa e digam que, tendo ido lá acima, voltou com a vista estragada, pelo que não vale a pena tentar subir até lá? E se alguém tentar libertar e conduzir para o alto, esse alguém não o mataria, se pudesse fazê-lo?

Glauco - Sem nenhuma dúvida.

Sócrates - Agora, meu caro Glauco, é preciso aplicar, ponto por ponto, esta imagem ao que dissemos atrás e comparar o mundo que nos cerca com a vida da prisão na caverna, e a luz do fogo que a ilumina com a força do Sol. Quanto à subida à região superior e à contemplação dos seus objetos, se a considerares como a ascensão da alma para a mansão inteligível, não te enganarás quanto à minha idéia, visto que também tu desejas conhecê-la. Só Deus sabe se ela é verdadeira. Quanto a mim, a minha opinião é esta: no mundo inteligível, a idéia do bem é a última a ser apreendida, e com dificuldade, mas não se pode apreendê-la sem concluir que ela é a causa de tudo o que de reto e belo existe em todas as coisas; no mundo visível, ela engendrou a luz; no mundo inteligível, é ela que é soberana e dispensa a verdade e a inteligência; e é preciso vê-la para se comportar com sabedoria na vida particular e na vida pública.

Glauco - Concordo com a tua opinião, até onde posso compreendê-la.


Capela de Nossa Senhora do Rosário



Fotografia Estenopeica, Filme Fomapan 400 Revelado em XTOL 1:1, 8 minutos

Andava eu por Beja, com um velho mapa de 1870 ( não é assim um mapa tão velho para se passear na parte histórica de Beja.).
Rua da Cisterna, Rua do Esquivel, Rua da Capelinha....

Rua da Capelinha, mas qual capelinha?

Se os nomes eram atribuídos, pela Coisa a que iam dar, então teria que ter existido uma Capela no fim, ou no inicio da actual Rua dr. Manuel de Arriaga, antiga Rua da Capelinha.

Seria que se referiam á própria Igreja de Santa Maria da Feira?. Não faria sentido chamar-se Capelinha àquela que foi já Catedral de Beja.

Não foi contudo dificil encontrar.

Fomapan 400, obturado a 200 e revelado em Xtol 1:1 em 8 minutos


Comecei por procurar em dois sítios. No inicio e no fim. Como convém.

Quando estava nas traseiras da Igreja de Santa Maria, lembrei-me de ter ouvido/lido que em tempos a Igreja não se encontrava ligada à Torre que lhe está sobranceira.

Fui à Biblioteca e numa rápida pesquisa, encontrei um pequeno artigo que descrevia uma inspecção feita à antiga Filial da Caixa Geral de Depósitos que alí existia e que tinha sido construida na decada de 20.

Procurei uma fotografia para ilustrar a velha Caixa Geral de Depósitos.



No artigo lá vinha a informação de que o Edificio da Caixa Geral estava em perigo, que tinha rachadelas, que a torre não se encontrava de inicio ligada à Igreja ( voilá!), que a Torre ab initio era metade daquela que é hoje ( os relógios são setecentistas, e a torre inicial era a "parte" do lado da porta e seu campanário), etc,etc...e que tinha sido uma má opção construir a sede da Caixa, na antiga capela... de Nossa Senhora do Rosário.

E aqui está a prova, numa fotografia de 1870...





Tenho pena de duas coisas:

A primeira é de ser desorganizado. Tenho a certeza que tirei cópia do artigo, mas não encontro e já não sei se fazia parte de uma revista "Arquivo de Beja" ou se era um documento avulso...
Vou perdendo papéis, não me lembro onde é que li e depois vou perdendo a informação sobre as coisas desta Terra.

A segunda coisa que tenho pena...é que não sou só eu a perder a memória...

Eu sou apenas eu...agora os outros...isso é outra história.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

A pedra rejeitada, uma história de Pedreiros e Pescadores


Fotografia Estenopeica,Filme Fomapan 400 Revelado em XTOL


Ontem estive até de madrugada no meu laboratório.

Revelando, fixando, observando, calculando....

Tinha na mão quatro rolos para revelar.

Dois de uma Canon, dita normal, com os seus temporizadores, obturadores e botões.

Um de uma máquina estenopeica, elaborada sob os mais rigorosos cálculos.

Outro, um velho rolo, de uma máquina falhada, mal concebida ( porque foi a primeira que fiz), que tinha decidido acabar de gastar aquando da minha última saída por Beja, a Idolátrica ( não essa era Braga ).


Fiz uma nova po(r)ção de revelador fresco - Kodak Xtol

Refresquei o Fixador ( de um bidon de 20 litros que encontrei junto ao um contentor do lixo...verdade!)

Até fiz um banho de paragem, com a mistura que se vende e não com vinagre.


...Quando hoje acordei ...depois de os negativos estarem secos, reparo que a melhor ( def: a que mais gostei) das mais de cem fotografias, foi a que coloco neste post.

Precisamente obtida com a tal lata velha e inestética.

Simples.
Tirada num dia em que entrei pela praia de melides, por um atalho onde encontrei este velho barco abandonado junto à lagoa.


Constato assim que consigo tirar fotografias mais interessantes com máquinas estenopeicas, e por vezes até mais focadas (!), do que com máquinas normais.

Aliás nunca fui fotografo, paradoxalmente, o meu interesse por fotografia surgiu após o interesse pelo processo estenopeico, após o gosto pela revelação e ampliação.

E é por aí que vou continuar.

Por outro lado, aprendi, apesar de reconhecer que já me tinha esquecido, que nunca devemos rejeitar o outro pela sua aparência, pela sua aparente inabilidade em conseguir alcançar algo.

Tratei a máquina primordial, como algo que não prestava, porque "agora já dominava melhor a técnica", e esqueci-me que se gosto da fotografia estenopeica, é precisamente por ela ser desprovida de elementos sofisticados e acessórios.

Acabei por, e os psicólogos que digam de sua justiça, recusar a minha própria origem. Troçando e desconfiando dos meus primeiros passos nesta forma de obter imagens.

Foi uma lição.

E por isso deixo o seguinte texto, que há tempos foi lido, em determinada ocasião, por um mestre.

Fala da pedra que foi rejeitada pelos construtores, mas que afinal era ela a essencial à construção do edificio.

(Para o meu amigo Padre da ICAR: Repara irmão que esta verdadeira alegoria maçónica, é o natural desenvolvimento das seguintes palavras de Jesus: A pedra que os construtores rejeitaram. tornou-se pedra angular. )

fica assim, num sentido ecuménico, e como parábola para o nosso crescimento, o texto, que podem acompanhar no Blogue Évora Oculta, e que um dia me foi lido, mas que parece que depressa esqueci.

Nem de propósito..Um texto maçonico e uma fotografia de barco de pescadores.

É como diz o outro...é por linha tortas...



"A PEDRA ANGULAR, por Emanuel do Blog Évora Oculta

A pedra angular é, na terminologia simbólico-maçónica, a base fundamental dos edifícios. Todo o edifício terá a sua pedra fundamental. O nosso corpo, a nossa sensibilidade, a nossa mente, a nossa intuição enquanto edifícios construídos ao longo da nossa vida terrena - a que conhecemos minimamente - todos eles têm a sua pedra angular.
A estabilidade de um edifício depende da colocação equilibrada e correcta daquela pedra! Olhemos em nós e rebusquemos no nosso interior em demanda das nossa pedras fundamentais. Procurar ver se foram bem talhadas e se estão colocadas no devido local do nosso imenso edifício vital.

Segue-se uma história contada por Daniel BeresniaK. Ela fala-nos sobre a construção de um edifício e sobre a escolha da pedra angular desse edifício pelos doutos mestres-pedreiros. No fundo esta história serve para colocar a questão sobre quem estará mais preparado para contribuir para a construção e escolha da pedra angular - o aprendiz ou o mestre? E o que é ser aprendiz ou ser mestre? Passemos então à sua leitura e reflexão:



E a pedra recusada pelos construtores tornou-se a pedra angular

«Àquele que bate à porta dos construtores excelentes, é pedida uma prova da sua qualificação. Assim, o suplicante submete com humildade a sua obra aos oficiais guardiães desta Câmara de Excelentes. Esta obra , é uma pedra talhada, a imagem de si próprio, projecção mineral da sua entidade invisível, conquistada e percebida em geometria.
Os Guardiães examinam a pedra, voltam-na e tornam a voltá-la, julgam-na segundo as normas do saber de que são os depositários e por fim rejeitam-na.

A pedra não está conforme. Ela não tem o seu lugar no edifício em construção e é arremessada para o refugo.


De cabeça baixa, envergonhado, o autor desta pedra falhada não opõe senão o silêncio aos sarcasmos de desprezo e às críticas pontificantes.

Ele perturbou a reunião dos arquitectos.

Foi rejeitado.

Mas, no instante preciso em que ele ia ser posto para fora, a chegada do Mestre Arquitecto, autor do plano geral do edifício, é anunciada.

Não há mais tempo para abrir a porta a fim de expulsar o intruso, pois poderia encontrar-se face a face com o Mestre Arquitecto e ofender a sua visão. Rapidamente, o intruso é dissimulado por entre os refugos do estaleiro da construção e a douta assembleia faz entrar o Mestre Arquitecto, com as honras devidas à sua posição.

O Mestre Arquitecto, depois de se ter deixado honrar segundo os usos, anuncia que a construção do edifício está a chegar ao fim e pergunta se o fecho de abóbada já foi talhado. De seguida, após ter escutado por um instante o silêncio embaraçado da assembleia, o Mestre anuncia aos oficiais guardiães que essa pedra existe e que convinha procurá-la.


Todos procuram, mas não a encontram.

Então, o Mestre Arquitecto dirige-se em direcção aos refugos, onde ainda ninguém tinha procurado. Descobre o fecho de abóbada por entre a pilha de pedras rejeitadas. Examina-a e julga-a perfeita.

Esta pedra, diz ele, é aquela que felizmente concluirá o edifício; é aquela que ele esperava e com a qual ele sonhava desde o início da obra. Diferente das outras, é por ela que as outras se segurarão e é por ela que as outras foram talhadas. Como é possível que ela tenha sido rejeitada? E contudo assim o deveria ter sido porque a construção durou tempo demasiado. Os construtores perderam de vista o sentido e a finalidade do seu trabalho. Instalaram-se nos seus hábitos. A repetição dos gestos embotou-os mentalmente: confundiram o fim com os meios, esqueceram o essencial, fizeram passar por normas absolutas as normas relativas nas fases transitórias. Terrível falta contra o espírito, pecado fundamental, eis aquilo portanto em que os oficiais guardiães desta douta assembleia se tornaram culpados.

“Como se poderá construir – clama o Mestre Arquitecto – se projectamos o presente no futuro, se somos incapazes de conceber outra coisa do que aquilo que já existe?”

Depois de ter esmagado a assembleia sob o peso da sua justa cólera, o Mestre Arquitecto ordena que lhe apresentem o autor da pedra há tanto tempo esperada. Os Oficiais Guardiães trazem respeitosamente para fora da pilha de refugos, aquele que tinham condenado e por detrás da qual eles o haviam dissimulado. O Mestre Arquitecto abraça-o e lhe torna a entregar o malhete, signo de autoridade, o qual não deverá ser confiado senão ao verdadeiro detentor de um saber-fazer, sob pena de desordem prejudicial ao edifício.

– Tu presidirás a fase mais delicada da construção – diz-lhe o Mestre.

– Somente tu és qualificado para o fazeres, porque és o autor da pedra única, a do ângulo. A tua obra é aquela pela qual o desafio que lancei às leis da gravitação será vitoriosa. Somente tu, aqui, és digno do título que transporto. Assim que tiveres colocado a tua pedra, conceberás o plano de um outro edifício, mais belo, mais forte e maior do que este.»

(in "Le “gai savoir” des bâtisseurs", por Daniel BERESNIAK, Éditions Détrad,2ème Édition,Paris,1986)"

in Évora Oculta

Acabo de sair do Laboratório

São duas e meia da noite...ou da manhã

Estive duas horas no laboratório a preparar novas soluções ( kodak xtol) e a revelar filmes ( Foma 400 obturados a 200 Iso).

Experimentei ainda o Xtol diluído ( julgo que foi um erro pois a diluição tende a aumentar ainda mais a velocidade do filme), reaproveitando-o sem aumento de tempo para a segunda revelação.

Obtive negativos menos densos da segunda vez e estou esperançado.

Daqui a 10 minutos vou tira-los da água.

Amanhã mostro. Estou cansado.



Boa noite.


PS- Tenho que encomendar mais filme. Só tenho um rolo já feito, que vou experimentar aumentando dois stops, tratando-o como se fosse 1600 Iso.
Vai ser só grão. E se fosse a 3200? U...seu minimalista!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Rua dos Correios, assim em jeito de carta

Fotografia de Pedro Horta


Tenho percorrido as Ruas de Beja em busca de velhas marcas

Portas, torres ,vestígios de edifícios outrora existentes, janelas....

Mas tem sido difícil, por vezes encontrar a informação necessária.

Torna-se necessário actualizar, urgentemente, o cadastro do património arquitectónico e cultural de Beja, e disponibilizá-lo, assim, ao alcance de um click. ( parte deste trabalho é verdade que está a ser feito pela CMB, mas repito, parte)

Hoje percorri algumas ruas e Travessas (Esquivél, Cisterna, Moura, Padre Plácido), e constatei que os números de policia não coincidiam com a informação disponível sobre a cantaria do sec. XV a XVIII.

Hoje ao percorrer as rua de Beja, reparei que a porta da torre adjacente à Igreja de Santa Maria ( junto portanto ao antigo edifício da Caixa Geral de Depósitos - antiga capela do Rosário) estava aberta, arrombada, com bastante reboco no chão.

Hoje reparei que algumas cantarias foram nos últimos 50 anos removidas ( alteradas, tapadas), sem motivo aparente.

Hoje levei pessoas de Beja, numa visita à parte velha da cidade, explicando, o que conseguia.

Ficaram encantadas com a riqueza desta nossa terra...e tristes, ao mesmo tempo, por faltar a sua divulgação/protecção/aproveitamento. Outros Concelhos, outros distritos, com muito menos fazem mais.

Amanhã irei ao Arquivo Fotográfico e depois ao Arquivo Distrital.

Para quando uma digitalização do seu acervo? Para quando uma proposta de aquisição de alguns acervos que por ai existem?

E já agora, porque para bom entendedor meia palavra-basta...

Será que estamos a proteger o nosso espólio cultural...será que neste momento não existe um silêncio/esquecimento face a uma situação grave que está a ocorrer com um dos maiores espólios do distrito???


Se calhar sim.

Praça da Republica em Beja



Fotografia : Pedro Horta

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Exposição

Fotografia Pedro Horta


Agora é que vou de férias.

Espero ver tudo o que me apetecer...e não apenas o que me é imposto.