domingo, 28 de dezembro de 2008

sábado, 27 de dezembro de 2008

O Tempo

Fotografia Estenopeica do Relógio da Estação dos Comboios de Grândola


O meu avô Materno foi ferroviário.

Sempre que estava para chegar a Grândola, dizia : Chego no comboio das 10h03.
Ficava chateado se arredondássemos a coisa para as 10h05.

Sempre que lhe perguntava o horário do rápido para Faro, ele dizia: Tens um às 10h31 e outro às 20h22.
Se eu arredondasse a coisa...o comboio não esperava.

Talvez por isso tenha aprendido a cumprir horários.

Sejam eles comboios, jantares, entradas ao serviço... respeito sempre o relógio e não considero a hora estipulada como meramente indicativa.

Se chego um minuto atrasado...fico descontente e apresento sempre uma justificação.

Porque os Comboios não têm que esperar por nós....


É uma mania, uma obsessão. De tal forma que costumo chegar sempre uns minutos mais cedo.

Para um encontro...10 minutos chega
Para uma reunião...5 minutos
Para um jantar...10 minutos
Para o trabalho...15 minutos

De tal forma sou obcecado com o tempo que vou adicionando uns minutos aos períodos anteriores.
Quando chegar 10 minutos mais cedo começa a fazer parte do horário...então...há que acrescentar mais 10 minutos. Já lá vão 20.

Obviamente que ainda me resta algum domínio do racional sobre a obsessão...pelo que 30 minutos costuma ser o meu limite...excepto se a reunião, encontro ou jantar for a mais de 100km de casa. Nesse caso... pelo menos duas ou três horas antes é o máximo que a minha ansiedade aguenta.

No sábado o Intercidades das 11h40 chegou a horas. Eu já lá estava há um bom bocado.

Tal como deve ser.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Fotografia com Plantas



"Espagíria, do grego significa separar, coligar e dividir ou unir. Então qual a diferença entre uma tintura comum e uma tintura espagírica? A comum é a maceração da planta em um meio alcoólico. A tintura espagírica separa alqumicamente os principais elementos mercúrio, enxofre e sal. A espagíria alquímica nos abre espaço para afirmar que a alquimia não é ciência, e sim uma arte mística"



A primeira fase consiste em Macerar folhas verdes com alcool a fim de obter a tintura que será sensibilizada.

Recolham um saco cheio de folhas verdes.
Coloquem-nas, pouco a pouco num almofariz
Vão triturando, adiccionando alcool, a fim de obter uma pasta...
Adiccionem por fim alcool ou agua destilada, obtendo um liquido.



Após a preparação da tintura, com uma trincha, espalhamos a mesma sobre uma folha ( de preferencia com uma gramagem superior às normais folhas de fotocópia, não sendo obrigatório).

Devemos fazê-lo de forma uniforme, retirando a tintura em excesso.

No final, com um secador, procedam à secagem da folha agora sensibilizada com clorofila.


Este deverá ser o resultado.
Agora, com este papel, poderão utilizar negativos ( preferencialmente impressos em folha de acetato), que serão colocados em cima destas folhas de papel.

Deixem ficar uma semana ao sol, e retirem o negativo, ou o objecto que dará origem a um fotograma.
Esta foi o resultado. Utilizáos uma folha de jardim.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Fotografia Solar

A fotografia, enquanto , escrita da luz, sob uma superficie sensivel, é um mundo imenso.
Esta é uma imagem obtida pelo método Solargraphy.

Do que se trata?

Normalmente as máquinas fotográficas têm lentes - Esta não!

Normalmente as fotografias necessitam de centésimos de segundo de exposição - Esta durou 3 dias!

Normalmente as fotografias são reveladas e fixadas em liquidos - Esta não!

A solargraphy é um método pinhole, em que o papel fotográfico é exposto à luz durante vários dias, registando o movimento do sol e o meio envolvente.

O papel não necessita de ser revelado, porque a luz é tão intensa que irá queimá-lo.

A máquina que tirou esta fotografia é um velho contentor de rolo fotográfico, e o papel fotográfico provém de uma caixa que ia para o lixo.

Chamo-lhe fotografia solar.

E agradeço a Tarja Trygg pela ajuda.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Amem-se!

Fotografia Estenopeica do Convento de Nossa Senhora da Conceição, onde vivia Soror Mariana Alcoforado, que se perdeu de amores por um Oficial Francês



Quando aqui passo, recordo sempre a maior e mais bela afirmação da História dos Homens.

Amem-se!!

Não importa quem, não importa porquê...apenas porque sim!

domingo, 14 de dezembro de 2008

Livros

"Cianótipo" de uma fotografia obtida com a utilização de papel fotografico numa máquina convencional


Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar
Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar


Sophia de Mello Breyner Andersen

Luz Artificial

Fotografia Convencional, em que o rolo da Máquina foi substituído por papel fotográfico.




Poderemos algum dia entender, qual a fonte da Luz?

sábado, 13 de dezembro de 2008

Fonte

Fotografia Estenopeica de uma bica, ligada a uma piscina, da qual sairia água para saciar, presumo, solípedes




sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Meu Belo Par de Chapadas

Ermida da Atalaia do Viso
Fotografia Estenopeica


O Tempo Passa...

Pensei em ir beber uma mini ao Joaquim da Murcha.

Estava fechado...dizem-me que há muito.

Lembrei-me de um tasco lá para os lados da Atalaia do Viso.

Perdi-me, voltei a encontrar(me).

Virei à direita, lá dei com o caminho.

Ao fundo lá estava a Tasca do Viso...

Fechada.

Dizem-me que há muito.

Voltei, enganei-me no caminho.

Encontrei esta velha ermida, construida dois anos antes do Terramoto.

Fotografei-a e voltei à estrada.

Cheguei a Beja.

Recebo a noticia.

Volto a tempo do Funeral do primeiro de nós a ir.

- Começamos a encontrar-nos nos funerais dos amigos....há quanto tempo não te via?

- Há muito, disse-lhe, não me lembrando de há quanto.


Adeus Amigo! Foste cedo.
Meu belo par de chapadas que tu levavas.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

As Cinco ( mais uma) Fortalezas de Grândola vistas por um buraco de agulha



Igreja Matriz de Grândola
Fortaleza do Meio





Fortaleza de São João Baptista
Norte





Fortaleza de São Domingos
Sul






Fortaleza de São Sebastião
Leste




Fortaleza de São Pedro
Oeste


Falta uma...Alguém me ajuda?



Os Textos foram retirados da Corografia Portugueza
Alguns locais poderão ser apenas suposições
As Fotografia são Estenopeicas

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

O que é a Fotografia Estenopeica?

É ponto assente que Não gosto de inserir filmes no Blog. ( acho que a excepção foi o filme estenopeico da minha filha sob o Título de o GATO).

Mas a pedido de muitas familias ( ou não), aqui vai um filme muito bom, sobre os fundamentos da Fotografia Estenopeica e da sua utilidade como projecto de intervenção social.

É assim que tiro as fotografias deste Blog.

Também é verdade que não tenho um camião. Mas tenho muitas latas e muita vontade de ensinar. Quem quiser, é só chamar.


Sede

Fotografia Estenopeica

1. Goethe, no seu leito da morte pedia que lhe abrissem as janelas, gritando Luz, mais Luz.

2. Há quem diga que este seu desejo, esta sua sede de luz, era puramente metafórica.

3. Acredito que sim. Ele próprio em vida afirmava que tudo no mundo são metáforas.

4. Eu não sou um Goethe . Mas por vezes tenho sede.


terça-feira, 2 de dezembro de 2008

O Fotógrafo Barbosa

Fotografia Estenopeica
Antigo Estúdio do Barbosa à Rua do Brasil
Hoje Rua Jornal do Algarve
Originária Rua do Príncipe





Conto de Arrepiar
ou
O Estudio do Barbosa


Não acredito em Bruxas, em Bruxedos, em Quebrantos, em Malfejos, em Almas e Alminhas...Mas que ele há "porras de um cabrão" lá isso há.

No outro dia entrei no café El Conde de Vila Real de Santo António e fiquei pasmado.

Nas paredes, quadros e quadros de reproduções de fotografias antigas do famoso fotógrafo Barbosa.

Imagens de Vila Real, do Rio, dos Barcos, das gentes Tudo registado nas placas de vidro. com um contraste possivel para a emulsão de nitrato de prata.

Perguntei ao meu tio se sabia da existência de algum arquivo que guardasse o espólio.

Respondeu-me ele...A tua Bisavó ainda deitou algumas para o lixo.... quando se mudou para a casa onde ele tinha o Estúdio.

Só não se perderam todas porque apareceu lá um tipo que levou algumas.

Uma lâmina trespassou-me o coração.

Chapas fotográficas, irrepetiveis, para sempre perdidas....

Procurei saber mais.

Descobri então que morei na Casa do Fotógrafo Barbosa. Mesmo ao lado do seu Estúdio.

Percebi o porquê da cozinha da minha bisavó ter umas vidraças tão grandes, que deixavam entrar o Sol na sua plenitude...

Era aí o Estúdio, o coração.

Nos quartos, realizava ele as revelações. E há 30 anos ainda eram escuros.

Nos corredores terão passado senhores e os senhores, catraios e catraias domingueiros... todos eles alinhados junto às vidraças da minha avó.

E eu alí brinquei.

No estádio do Barbosa, um homem louco, um génio, um visionário.

Um homem que um dia saltou do terraço com um guarda-chuva aberto.

Não acredito nestas coisas, mas o certo é que hoje tento recriar precisamente os processos fotográficos, com os quais se obtinham as chapas de vidro, cobertas de gelatina e nitrato de prata...as mesmas que a minha bisavó deitou fora para ter mais espaço.

Vade Retro?!



segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Locais IV

Fotografia Estenopeica


Casa de Ferreiro, o Torto
ou Torreão Sul de Vila Real de Santo António


Segundo a planta da Fundação de Vila Real de Santo António da Arenilha, esta seria delimitada por dois Torreões.

O da fotografia é o Torreão Sul.

Actualmente encontra-se ali sedeado o Arquivo Municipal.

Nos anos 30.... era a casa do Ferreiro, o Torto ( nome simpático para o estrabismo ou cegueira).

Este bom homem era agiota. Emprestava dinheiro a altos juros, penhorando o ouro dos seus "clientes". Era pois conhecido como o homem que "ficava com o ouro das pessoas".
Tinha 3 filhas:
Uma, de nome Marquita casou com o professor primário chamado Sr. Primitivo.
A segunda era anã, chamada por todos por Ananita
A terceira casou em segundas núpcias com o António Ritta, avô da nossa antiga primeira dama.

O mundo é pequeno.


Sei isto, porque os avós Maternos da nossa primeira dama eram de Odeleite, e às vezes chovia....

E também porque o meu avô foi criado com a Tia Sebastiana.

Ora vejam se não tenho razão:


O Sr. Luis Xavier e a D.ª Claudina.(avós da Maria José Ritta) vinham por diversas vezes a Vila Real acompanhados dos seus filhos, filhas, netos e netas.

Quando chovia, a ribeira de Odeleite não os deixava voltar para casa. Ficavam então no N. 87 da rua Sousa Martins.

Lá morava a Sebastiana Nunes, parteira de profissão e amiga do casal. Tia do meu Bisavô ( o Mestre Horta , carpinteiro).

Por isso o meu avô sabia a história da família, e recordou-se que o Ferreiro, o Torto era sogro do Avô Paterno da ex-Primeira Dama.

Também se lembrou que mais tarde, para o Torreão Sul da Vila, foi morar o "Homem das Estradas", eventualmente alto quadro da Junta Autonomia.

Este não era Torto, mas era gordo, sendo por isso apelidado de "Barrelinho".

Tinha dois filhos. Uma casou-se com Deus, o outro foi para a Judiciária.

O Homem das Estradas morreu a dormir, quando o Tecto do Torreão se abateu sobre a sua cama.

Ficou o Torreão abandonado.

Um dia arranjaram o tecto e foi para lá o Arquivo Municipal.

Assim é a história do Torreão Sul de Vila Real.

Falta contudo a sua utilização ou proprietário inicial que pelo mapa reparo que começa por M e tem 3/4 letras.

O Nosso Torreão está no canto inferior esquerdo. Se alguém conseguir dar uma ajuda...

E perguntam alguns? E o Torreão Norte?
Esse, segundo diz o meu avô era propriedade dos Sanches (" mas isso não interessa...eram de familias espanholas "(sic)).

Escrevam, nem que seja para dizer que é tudo mentira.
Planta de Fundação de VRSA (1774) digitalizada de Obra de Hugo Cavaco
Vila Real de Santo António - Reflexos do Passado em Retratos do Presente